Acusada de blasfêmia, governo diz que Asia Bibi continua no Paquistão

Justiça decretou que ela é "uma cidadã livre"

Justiça decretou que ela é “uma cidadã livre” T. MUGHAL/EFE/EPA

A cristã Asia Bibi continua no Paquistão dois dias depois de o Tribunal Supremo rejeitar um recurso contra a sua absolvição do crime de blasfêmia e pelo qual foi condenada à morte, informou o Ministério das Relações Exteriores paquistanês nesta quinta-feira (31).

“Na minha opinião, a Asia Bibi ainda está no Paquistão. É sua a decisão de viver no Paquistão ou ir para o exterior. Não há qualquer restrição. É uma cidadã paquistanesa livre”, afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do órgão, Mohammad Faisal.

Ele afirmou que o veredito do principal órgão da Justiça do país de deixá-la em liberdade será “implementado”.

Mãe de cinco filhos, Asia Bibi foi denunciada por duas mulheres em 2009 por supostamente insultar o profeta Maomé. Um tribunal determinou a pena de morte em 2010, e quatro anos depois ela perdeu uma apelação no Tribunal Superior de Lahore.

No ano seguinte, a Justiça concordou em analisar o caso, e em 7 de novembro do ano passado, apesar de já ter sido absolvida não pôde sair do país e foi levada a um lugar “seguro”, de acordo com o governo, enquanto o Supremo revisava a apelação a sentença de absolvição, que finalmente esta semana foi decidida.

A sua libertação provocou protestos de extremistas e a detenção de milhares de manifestantes.

A rígida lei de combate à blasfêmia foi estabelecida na época em que o Paquistão era colônia britânica para evitar confrontos religiosos, mas nos anos 80 várias reformas promovidas pelo ditador Muhammad Zia-ul-Haq favoreceram o abuso desta regra. Desde então, foram registradas mil acusações por blasfêmia, um crime que no Paquistão pode levar à pena de morte, embora nunca tenha sido condenado efetivamente por isso.

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