Agente do FBI conta como a rede do cartel de El Chapo foi invadida

Corte federal do Brooklyn, onde acontece o julgamento de El Chapo nos EUA

Corte federal do Brooklyn, onde acontece o julgamento de El Chapo nos EUA Eduardo Munoz/Reuters/05-11-18

Um agente do FBI depôs durante a maior parte do dia, nesta terça-feira (8), no julgamento do traficante mexicano Joaquín El Chapo Guzmán, e explicou como a rede de comunicações do cartel de Sinaloa foi invadida, produzindo provas importantes contra o chefão.

Stephen Marston explicou que o problema na rede, abordado durante o depoimento do colombiano Jorge Cifuentes, em dezembro, não aconteceu por erro do técnico de TI. Cifuentes achava que a licença do programa de encriptação não tinha sido renovada.

Na verdade, o técnico, Cristián Rodriguez, estava colaborando com o FBI. “Percebemos que, sem um acesso interno, não teríamos como entrar na rede deles”, explicou Marston no depoimento.

Infiltrando a rede

Em 2010, o FBI identificou Rodriguez como o técnico responsável pela manutenção da rede encriptada do cartel de Sinaloa. Após investigar sua vida na Colômbia, ele foi chamado para uma reunião falsa em um hotel de Nova York.

Nesse encontro, os agentes do FBI o convenceram a cooperar. Com isso, ganharam acesso contínuo às comunicações do cartel e puderam juntar centenas de gravações, entre 2011 e 2012, como provas. Algumas delas foram exibidas aos jurados nesta terça.

Sem que Chapo e os demais membros do cartel soubesse, o técnico transferiu os servidores da rede do Canadá para a Holanda, onde o governo colaborou com o FBI e permitiu que os dados fossem gravados.

Para checar que o que foi gravado realmente tinha a voz de Chapo, os agentes contaram com uma prova que o próprio traficante forneceu: a entrevista para o ator Sean Penn, divulgada em 2015. “Era ele”, disse Marston.

Telefonemas incriminadores

Nas gravações exibidas no tribunal, Chapo aparece conversando com capangas, dando ordens e, curiosamente, pedindo que um de seus subordinados mais violentos tivesse mais calma ao lidar com a polícia.

“Não cace os policiais, são eles que nos ajudam. Deixe-os em paz, fale com cuidado com eles, senão eles chamam os soldados”, diz Guzmán para Cholo Iván, um de seus principais tenentes.

Em outro telefonema, Chapo tenta ensinar Cholo a agir com mais calma ao capturar possíveis alvos: “depois que você amarrar todo mundo, cheque quem são, pra ter certeza que não estamos executando inocentes”.

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