Amante da natureza registra aves da APA das Tabebuias (RJ)


Fonoaudióloga do Rio de Janeiro descobriu paixão pela fotografia de fauna de uma forma inusitada. O macho da freirinha (Arundinicola leucocephala) é quase todo preto, com apenas a cabeça e a garganta brancas, já a fêmea possui tons marrons e brancos.
Daniela Stamato/ Arquivo pessoal
A paixão da fonoaudióloga Daniela Stamato pela fotografia de fauna começou quando o que parecia ser uma flor teve um comportamento diferente diante dos seus olhos. “Sou vizinha da Área de Proteção Ambiental das Tabebuias, no Rio de Janeiro, desde outubro de 2018. Certa vez observava pela minha janela uma árvore com uma flor vermelha que de repente voou, fiquei encantada. Descobri que era na verdade uma ave, um tié-sangue “, conta. Depois dessa agradável surpresa, a fonoaudióloga, de 44 anos, começou a estudar e a anotar todos os animais que encontrava. Com a ajuda de um ornitólogo, passou a identificar as espécies e com uma câmera decidiu fotografar a vida animal que estava ao lado de sua casa.
O martim-pescador-grande (Megaceryle torquata) mede 42 cm e se alimenta de peixes, por isso está sempre perto da água
Daniela Stamato/ Arquivo pessoal
Em um pouco mais de um ano, 54 espécies de aves já foram registradas pela Daniela. Alguns mamíferos como a capivara e o gambá, e também um jacaré-de-papo-amarelo, não escaparam às lentes.
A diversidade dos animais impressiona: ” Quando observo a natureza sinto uma paz incrível e vejo um mundo diferente, um mundo simples e rico. O que mais me impressiona é a diversidade de vida selvagem que nos cerca e passa despercebido para a maioria das pessoas”, comentou. O jacaré-de-papo-amarelo pode chegar a medir 3 metros.
Daniela Stamato/ Arquivo pessoal
O carinho pelos registros é enorme, mas o flagrante de um chupim adotado por um casal de lavadeira-mascarada foi o predileto: ” Porque o chupim é muito maior que os pais adotivos e fica o dia inteiro de bico aberto pedindo comida”, lembra. O flagrante é mais uma mostra do comportamento típico do chupim, como explicou a bióloga Giselda Person. A fêmea faz a postura dos ovos em ninhos de outras espécies e vai embora, ficando para os “pais adotivos” a função de cuidar dos filhotes.
Filhote de chupim sendo alimentado por uma lavadeira-mascarada.
Daniela Stamato/ Arquivo pessoal
Infelizmente, a amante da natureza percebeu que o cenário da APA das Tabebuias está mudando e que parte da vegetação diminuiu. Ela pretende manter a prática de registrar a fauna e a flora deste local como uma tentativa de ajudar na preservação da área. “Queria que as minhas fotos fossem uma ferramenta para ajudar na preservação dessa área tão pequena e tão rica em vida selvagem. Percebo que a vegetação já não é mais a mesma e temo que um dia deixe de existir.”

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