Após saída de secretária, secretário-adjunto deixa Direitos Humanos e critica gestão Doria

Thiago Amparo criticou medidas que atingem moradores de rua e disse ser ‘infundada’ a convicção que ele próprio teve de que a gestão de Doria traria ‘novos ares’ a São Paulo.

O secretário-adjunto da Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, Thiago Amparo, anunciou nesta segunda-feira (29) seu pedido de exoneração. Em carta encaminhada ao prefeito João Doria (PSDB), Amparo critica medidas tomadas pela gestão do tucano e afirma ser “infundada” a convicção que ele próprio tinha, ao assumir o cargo, de que a atual administração traria “novos ares” a São Paulo.

O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura e aguarda resposta.

Na carta de demissão de Amparo, ele faz alusão, entre outros pontos, às ações da Prefeitura na Cracolândia. “Aceitei este cargo com a convicção dos novos ares que sua administração poderia trazer a São Paulo. Vislumbrei a possibilidade de que nossa cidade pudesse ocupar posição de vanguarda entre as principais metrópoles do mundo. Tal convicção resta por ora infundada”, afirma Amparo na carta.

“Cidades garantidoras de direitos não reservam os nomes de suas pontes e ruas para celebrar a memória e a tortura; tais cidades consolidam, ao invés de subtrair por decreto, os direitos dos mais vulneráveis, entre eles pessoas em situação de rua; tais cidades garantem representatividade em termos iguais a mulheres no mais alto escalão do poder. Cidades garantidoras de direitos compreendem participação social como um mecanismo de construção do diálogo democrático”, completa.

Na última terça-feira (23), após ação na Cracolândia que havia prendido 53 pessoas no domingo (21) e afastado usuários de drogas para outras áreas da cidade, a Prefeitura iniciou a demolição de imóveis na região da Luz. A ação foi feita com base em decreto publicado no Diário Oficial do município no último dia 20 que determinou que as áreas da localidade são de interesse da Prefeitura.

A carta com o pedido de exoneração de Amparo foi divulgada na página dele no Facebook. Tanto o secretário-adjunto quanto a ex-secretária dos Direitos Humanos pediram exoneração após as ações da Prefeitura na Cracolândia. As medidas que têm gerado manifestações contrárias tanto do Ministério Público quanto da Defensoria Pública.

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