Bienal de Dança: experiência sensorial em túnel resgata Campinas desde o século XIX


Estrutura construída em 1918 recebe até esta quarta (18) parte de uma intervenção que propõe reflexões ao público. Mostra continua até 22 de setembro; veja a programação completa. Público acompanha intervenção em túnel na Vila Industrial, em Campinas
Juliana Hilal
O histórico túnel de pedestres da Vila Industrial, em Campinas (SP), foi transformado em uma espécie de palco intimista para a 11ª Bienal Sesc de Dança. A estrutura construída em 1918, com 200 metros de passagem, recebe até esta quarta-feira (18) parte de uma intervenção que propõe experiências sensoriais para sugerir reflexões e mostrar parte da cidade desde o século XIX, antes mesma do surgimento do espaço.
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Fechado há pelo menos um ano, por conta de obras de reforma, o túnel foi reaberto somente durante o evento para justamente ser uma das áreas percorridas pelos visitantes que acompanham a performance “Dentro” ao longo do complexo da Estação Cultura. O G1 acompanhou o trajeto de uma hora permeado por danças contemporâneas, entrevistas de moradores, leitura de texto poético, além da exibição de sons que vão da natureza ao barulho de trens. Cada visitante recebeu um fone de ouvido para acompanhar os áudios.
A Vila Industrial foi o primeiro reduto de trabalhadores da cidade e está atrelado às instalações das Companhias de Estrada de Ferro Paulista e Mogiana, em 1872 e 1874 respectivamente.
A ideia, contudo, também visa proporcionar imersão das pessoas em si próprias e na história de uma das regiões mais emblemáticas. A proposta foi criada pelo coletivo Qualquer, dos artistas Luciana Chieregati, de São Paulo, e o espanhol Ibon Salvador. “Já fizemos em São Paulo, mas aqui tem outra carga histórica […] Muitos que ajudaram [na organização] puderam participar agora da experiência e curtem bastante. Isso é muito importante”, falou Salvador.
Os artistas Ibon Salvador e Luciana Chieregati
Juliana Hilal
De acordo com ele, o grupo fez uma pesquisa com historiador, além de funcionários da estação e da associação que representa os ferroviários para elaborar a apresentação. Um dos itens negociados com a prefeitura de Campinas foi justamente o acesso ao túnel. “Falaram muito sobre ele, que havia ‘mão de circulação das pessoas’ [parte pela esquerda, parte pela direita], muita pichação. Negociamos para usar na proposta.” O espaço, agora, está limpo e organizado.
Alvo de brincadeiras e lendas, como a de um vulto luminoso que teria aparecido na década de 1990, o túnel já passou por obras de reforma, mas segue interditado. Procurada pelo G1, a Prefeitura de Campinas informou que a reforma do túnel já está concluída, mas sua reabertura ainda não tem prazo definido. O governo informou que estuda uma melhor maneira de reabrir a passagem aos pedestres com segurança, evitando depredações.
Sensações
A experiência de passar por ele foi valorizada pela socióloga Ana Paula Silva Lapa, de 56 anos. “Incrível a experiência sensorial. Você vê a cidade de outra forma, outros aspectos dela. Fiquei até emocionada”, contou.
Avaliação idêntica foi compartilhada pelo historiador Américo Batista Villa, 49 anos, que ajudou na pesquisa do grupo. “Foi uma explosão sensorial. Pra mim, que vejo a história de forma racional, linear, foi diferente. A proposta é a relação emocional.”
Veja página especial sobre a 11ª Bienal de Dança.

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