Bienal de Dança: intervenção usa rodoviária de Campinas como pista de dança e tem participação de medalhista paralímpico


Performance foi realizada por grupo de artistas na tarde desta quinta-feira (19). O dançarino Jefte e o campeão paralímpico Jair Henrique Porfírio.
Cláudio Liza Júnior
Um grupo de artistas transformou a área de bilheterias da rodoviária de Campinas (SP) em uma pista de dança silenciosa, na tarde desta quinta-feira (19). Em meio às chegadas e partidas de passageiros, porém, os sons da festa surgiram na medida em que curiosos aceitavam o convite de integrantes da Cia Híbrida para fazerem parte da intervenção “Escuta!”, na 11ª Bienal Sesc. A proposta do grupo foi simples e criativa aos novos participantes. Plugar o fio de um fone de ouvido dos dançarinos ao celular para compartilhar músicas. Um dos que toparam foi o medalhista de ouro paralímpico Jair Henrique Souza Porfírio, de Americana (SP), que planeja praticar dança.
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ENQUETE: em que situações você costuma dançar? “Gosto muito de música e quero fazer dança, só não tenho tempo. Quando vi esse pessoal aqui parei para aproveitar”, ressaltou. O atleta foi vencedor na modalidade de lançamento de dardos na categoria de pessoas com nanismo, neste ano, durante competição no Peru.
Ao se aproximar do dançarino profissional Jefte Francisco, ensaiou alguns passos ousados e arrancou aplausos de quem passava perto da performance artística. Intervenção de grupo artístico na rodoviária de Campinas
Cláudio Liza Júnior
Surpresas no cotidiano
Para o dançarino e intérprete do grupo carioca, esse é mais um episódio marcante na trajetória da intervenção. Ao G1, ele contou sobre a satisfação de ter retornos positivos das pessoas que são surpreendidas pela performance em algum espaço público. “Uma vez, uma espectadora aceitou o meu fio e colocou para mim a música de uma artista popular, e eu sabia toda a coreografia. Ela não esperava, ficou muito emocionada, aplaudiu e me abraçou. Foi algo incrível”. “Escuta!” é parte do projeto “Estratégias para Desembrutecer o Olhar” da companhia que, desde 2016, cria ações inusitadas para áreas com intensa circulação de pessoas. Durante a obra, o coletivo começa com ações simples, entre elas, pessoas que param próximas de outras. Aos poucos surgem passos para, em seguida, os participantes oferecem as pontas dos fones de ouvido. “Não podemos falar, a gente busca a aceitação pelo olhar”, destaca Jefte.
Abordada por uma dançarina, a atendente de caixa da rodoviária Daniela Barreto de Souza exitou em deixar que o celular dela fosse usado no primeiro momento, mas depois aproveitou a dança. “Eu tentei entender o que ela queria, depois achei que não dava para participar porque não tenho nenhuma música. Mas ela dançou mesmo sem música, o que foi muito interessante”, conta.
A movimentação inusitada fez com que muitas pessoas interrompessem a rotina para acompanhar a performance no terminal rodoviário, em pleno horário comercial. “Eu fiquei aqui para ver, queria saber dançar desse jeito. É fora de série”, disse a costureira Ana Máximo.
Artista aborda passageiro no terminal, em Campinas
Cláudio Liza Júnior
Dançarinos durante performance pala 11ª Bienal Sesc de Dança
Cláudio Liza Júnior
Veja página especial sobre a 11ª Bienal Sesc de Dança.

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