Caixas servem como ninho para aves e ajudam na conservação de espécies

Estruturas colocadas nas matas podem facilitar o período de reprodução e a proteção dos animais. Caixas de madeira instaladas no topo de árvores são usadas para compensar a falta de cavidades naturais, lugares que muitas espécies buscam para a confecção dos ninhos. A bióloga Elaine da Rosa Bueno desenvolveu um estudo na cidade de Poconé (MT) sobre o comportamento das espécies que usam cavidades artificiais para reprodução. A pesquisa detectou que invertebrados, répteis e até algumas espécies de mamíferos se reproduzem, abrigam e se aquecem nessas estruturas. Mas é com as aves que essa “moradia” tem ganhado frutos e gerado boas respostas para as populações. Muitas famílias se reproduzem somente em cavidades, e há aquelas não são capazes de produzir esses espaços. Com a vida comprometida em decorrência do desmatamento e mau uso do ecossistema, algumas espécies conseguiram “respirar mais aliviadas” com a adesão das caixas-ninho em locais seguros.
O Terra da Gente já mostrou iniciativas que se beneficiaram com esse tipo de “arquitetura”. O projeto Periquito Cara-suja, sediado na Serra de Baturité (CE), observou uma explosão populacional quando suprida a ausência de cavidades para a espécie procriar. Se antes faltavam locais adequados para que ela se reproduzisse, a ave, que ocupa um status de conservação alarmante, ganhou mais de 1.100 filhotes, que voaram dos ninhos, em 10 anos de trabalho.
O programa de instalação das caixas-ninho realizado pelo projeto Periquito Cara-Suja, inclusive, foi considerado por especialistas como o mais bem sucedido do mundo todo. Em uma década de instalação das mais de cem caixas, os pesquisadores conquistaram a redução da ameaça da espécie na natureza, de “Criticamente em Perigo” para “Em Perigo”.
Em Santa Fé do Sul (SP), o Projeto Arara-canindé monitorou, em 2019, 15 ninhos ativos. Entre eles, alguns nas chamadas caixas-ninho ou ninhos artificiais. As “moradias” foram instaladas em locais que os pesquisadores observaram uma disputa entre as aves, sinal de que a demanda por cavidades exigia um reforço na confecção de novas “casinhas”. Se essas estruturas são tão benéficas, o resultado também deve ser reproduzido em casa e nos centros urbanos? O biólogo Thiago Filadelfo é especialista em reprodução de aves silvestres e afirma que essas cavidades, tão buscadas na natureza, são escassas e, por isso, as caixas são sempre bem vindas. “Elas são super legais, fáceis de fazer em casa. Não é certeza de que as espécies vão usar, isso depende da comunidade de aves que se tem no entorno. Mas até uma bota ou uma chaleira podem servir como um ninho para algumas aves”.

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