Candidato com aparelho auditivo relata constrangimento no Enem: ‘Acharam que era ponto’

Candidato, de 18 anos, ficou constrangido no Enem 2017 após fiscais receberem denúncia de que ele estaria com ponto eletrônico em Monte Aprazível (SP) (Foto: Claúdia Maset/Arquivo Pessoal)Candidato, de 18 anos, ficou constrangido no Enem 2017 após fiscais receberem denúncia de que ele estaria com ponto eletrônico em Monte Aprazível (SP) (Foto: Claúdia Maset/Arquivo Pessoal)

Candidato, de 18 anos, ficou constrangido no Enem 2017 após fiscais receberem denúncia de que ele estaria com ponto eletrônico em Monte Aprazível (SP) (Foto: Claúdia Maset/Arquivo Pessoal)

Um candidato com deficiência auditiva, de 18 anos, relata que passou por constrangimento durante o segundo dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste domingo (12), em um colégio de Monte Aprazível, no interior de São Paulo.

Em nota, o Inep informou que a coordenação do local onde Guilherme realizou a prova foi consultada e que nenhuma anormalidade durante a aplicação da prova foi registrada. Afirmou, ainda, que o laudo médico do jovem foi reprovado pelo consórcio por não apresentar diagnóstico condizente com a solicitação do participante e, por isso, ele ficou em uma sala de aula comum.

Candidato com aparelho auditivo relata constrangimento no Enem: 'Acharam que era ponto'

Candidato com aparelho auditivo relata constrangimento no Enem: ‘Acharam que era ponto’

No mesmo ano em que o tema da redação foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil“, Guilherme de Oliveira Maset, que tem deficiência auditiva desde os seis anos de idade, teve de provar para os fiscais, após a prova, que realmente tem problema de audição.

Segundo Guilherme, uma candidata viu seu aparelho auditivo e denunciou o suposto uso de ponto eletrônico ao fiscal da sala de aula, quando o jovem pediu para ir ao banheiro. Ele conta que quando voltava para a sala diversos fiscais passaram a observá-lo.

Inscrição de Guilherme de Oliveira Maset consta deficiência auditiva (Foto: Cláudia Maset/Arquivo Pessoal)Inscrição de Guilherme de Oliveira Maset consta deficiência auditiva (Foto: Cláudia Maset/Arquivo Pessoal)

Inscrição de Guilherme de Oliveira Maset consta deficiência auditiva (Foto: Cláudia Maset/Arquivo Pessoal)

“Os fiscais começaram a gesticular e logo percebi que o problema era comigo. Faltavam umas 20 questões para eu terminar a prova, mas comecei a ficar nervoso. Eu tremia. Um fiscal ficou do meu lado durante o restante da prova e eu não conseguia olhar para o lado. Assinalei qualquer coisa porque não conseguia me concentrar”, diz o jovem em entrevista ao G1 nesta segunda-feira (13).

Ao entregar o caderno de questões, o fiscal da sala de aula pediu para ele ir à coordenação porque havia ocorrido um problema na documentação dele.

“Quando cheguei na sala do coordenador, o fiscal contou que denunciaram o uso de ponto. Então ele pediu para examinar meu aparelho. Mostrei toda a documentação e eles aceitaram meu lado, mas me deixaram em uma sala normal. Fui embora sem fazer a prova direito. Nos anos anteriores que prestei a prova, fiquei em uma sala separada”, diz.

‘Atitude desnecessária’

Guilherme conta que achou desnecessária a atitude dos fiscais na sala de aula. “O primeiro fiscal deveria ter vindo falar comigo, não ter feito aquela cena toda e me mandar para a coordenação”, afirma o jovem.

“Eu tremia, fiquei com medo e constrangido. Medo de acontecer alguma coisa ruim e de eu ter feito algo errado”, diz. “Acho um absurdo colocar o tema da redação sobre a surdez na educação e os fiscais do Inep não saberem lidar com este tipo de deficiência. Para mim, isso é preconceito”, conclui o estudante, que espera não passar por este tipo de constrangimento em uma futura prova.

O tema da redação do Enem 2017 foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. A prova teve quatro textos motivadores diferentes. Um deles incluiu dados sobre o número de alunos surdos na educação básica entre 2010 e 2016.

Outro apresentou um trecho da Constituição Federal afirmando que todos têm direito à educação. Um terceiro mostrou aos candidatos uma lei de 2002, que determinou que a Língua brasileira de sinais (Libras) se tornasse a segunda língua oficial do Brasil.

Além disso, um anúncio do Ministério Público do Trabalho que, segundo o site do MPT, foi publicado em 2010, abordou um quarto aspecto da questão: o fato de surdos seguirem excluídos por causa do preconceito, mesmo que tenham a formação educacional necessária para entrar no mercado de trabalho.

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