Casal venezuelano refaz vida na Espanha, mas espera poder voltar

Morar na Venezuela em meio a uma grave crise humanitária e política não era mais seguro para o casal Jose Martinez e Arelis Morales. Ele trabalhava para um líder de oposição e ela era conselheira de direitos humanos. Os dois decidiram se mudar para a Espanha em janeiro, priorizando os planos para a família, mas esperam poder voltar à terra natal um dia

O motivo principal foi a vontade de ter um filho. Os dois se mudaram para a região rural de Xinzo de Limia, onde vivem com a família. “Como a gente poderia expor uma criança a todas as coisas que acontecem na Venezuela?”, desabafou Martinez

A migração de venezuelanos para outros países da América Latina e pelo resto do mundo já é conhecida. Entre eles, pessoas de classe média e profissionais qualificados, que não encontram trabalho nas áreas que são especialistas.

Antes de se mudarem para a Espanha, Martinez foi diagnosticado com depressão. Agora, ele busca uma vida nova na Europa como fotógrafo, trabalhando em casamentos e com documentários

Já Arelis quer continuar trabalhando com direitos humanos, mas espera engravidar logo. “Nós demos tudo o que nós podíamos pela Venezuela até a hora que meu corpo literalmente disse ‘Eu não consigo lidar com isso mais'”, contou. 

Apesar da vida nova na Espanha e a busca por um recomeço mais tranquilo, os dois esperam poder voltar para o país quando Nicolás Maduro sair do poder

Não só venezuelanos estão deixando o país, mas cidadãos com dupla cidadania também decidiram sair. Mariana Elias tem dupla cidadania espanhola e decidiu viajar para a Europa em busca de trabalho 

Quando estava na Venezuela, Mariana estudou engenharia química e de produção e trabalhava como professora. Ela era presidente do conselho estudantil da Universidade Simon Bolivar e foi às ruas em protestos contra Nicolás Maduro

Focando na carreira, ela se mudou para Barcelona. “Eu me preparei academicamente, eu queria ter oportunidades a longo prazo para progredir e avançar. Eu não conseguia ver isso na Venezuela agora”, contou.

Enquanto procura por um emprego na área da engenharia, ela trabalha em uma empresa britânica organizando conferências

Diferente de Martinez e Arelis, ela não tem planos de voltar para a Venezuela. Enquanto no país natal ela havia sido vítima de três assaltos, ela se sente segura na Espanha e até usa o transporte público, o que evitava a qualquer custo no país natal

Ela também encontrou amigos venezuelanos na Espanha, e tenta se encontrar com o grupo sempre que possível para manter as tradições e cultura vivas. “Eu não consigo tirar a Venezuela da minha cabeça”, desabafa

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