CP contra Jonas suspende sessão após ex-diretor de Saúde faltar em depoimento nesta quinta-feira


A defesa de Maurício Rosa alegou que ele não tem condições de depor. Vereadores integrantes da CP falaram à imprensa após a suspensão da sessão desta quinta
Marcello Carvalho/G1
A Comissão Processante contra o prefeito Jonas Donizette (PSB) suspendeu os trabalhos, na manhã desta quinta-feira (31), após o ex-diretor do Departamento Administrativo da Saúde Maurício Rosa não comparecer ao depoimento, que estava agendado às 9h.
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O ex-servidor era uma das testemunhas de acusação indicadas pelo vereador Marcelo Silva (PSD), autor da denúncia que deu origem à CP. De acordo com o parlamentar, a defesa de Rosa alegou que ele está “muito chateado e a família abalada” e, por isso, não tinha condições de prestar os esclarecimentos na Comissão Processante, que investiga possível responsabilidade do chefe do Executivo nos desvios de verbas da Secretaria de Saúde no Hospital Ouro Verde.
Silva enviou um ofício ao Ministério Público denunciando o prefeito e os demais investigados na Operação Ouro Verde por obstrução de Justiça e coação. No documento, o vereador pede apuração por parte da Promotoria e sugere que seja pedida a prisão preventiva dos envolvidos na operação que ainda estão em liberdade. Silva pediu ainda para a Comissão Processante deferir um pedido verbal de condução coercitiva da testemunha, mas o presidente da CP, Luiz Henrique Cirilo (PSDB), indeferiu o pedido e encerrou a audiência, já que a testemunha não compareceu.
Após a suspensão da sessão, Cirilo disse que a ausência do ex-diretor de Saúde não afeta os trâmites e nem os trabalhos da comissão. O advogado do prefeito, Marcelo Pelegrini, repudiou a suspeita de coação no caso por parte do prefeito Jonas Donizette. Disse ainda que o vereador Silva não poderia ter feito denúncia contra o cliente dele ao Ministério Público.
Dois dos três delatores do caso Ouro Verde, Daniel Câmara e Ronaldo Pasquarelli têm depoimentos marcados para as 14h. Neste caso, imagens estão vetadas, o áudio da reunião será cortado e o conteúdo será mantido em sigilo, informou o presidente da CP, Luiz Cirilo, para cumprimento da lei sobre colaborações premiadas.
Na audiência anterior, quando ambos estiveram ausentes, Silva insistiu nas oitivas ao defender que ambos poderiam revelar fatos importantes sobre o suposto esquema e aceitaram contribuir com a comissão, desde que eles tivessem as imagens preservadas durante a ida ao Legislativo.
O promotor Daniel Zulian, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), enviou um ofício para o presidente da CP onde faz recomendações sobre parte dos conteúdos que deve ser abordada na audiência, para evitar prejuízos nas apurações que começaram em novembro de 2017 e divididas em três fases. Ao todo, 18 pessoas já foram denunciadas à Justiça. “Considerando que parte do conteúdo da colaboração dos réus, relacionada a Campinas, ainda está sob sigilo, as declarações dos colaboradores no tocante a esses pontos específicos deverá ter o sigilo preservado”, diz um dos trechos do documento. Zulian frisou que, após o término dos depoimentos na Câmara, pedirá à comissão processante as cópias dos materiais para verificação.
No dia em que os depoimentos foram reagendados, o governo alegou que Jonas recebeu com naturalidade e tranquilidade a decisão. Ele é alvo da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) desde que foi citado por empresários em supostas negociações para favorecer a Vitale. O caso está sob sigilo.
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Marcello Carvalho/G1
Posicionamentos
A advogada dos delatores, Luiza Restiffe, não retornou à ligação até esta publicação.
Próximas etapas
As dez testemunhas de defesa devem ser recebidas pela comissão nesta sexta-feira (1º); enquanto que os esclarecimentos de Jonas Donizette foram marcados para 7 de fevereiro.
A lista de testemunhas inclui dez nomes (veja abaixo). Ela chegou a ter 11, mas, de acordo com a Prefeitura, o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB) deixará de comparecer, a pedido próprio.
Marcos Pimenta – presidente da Rede Mário Gatti;
Cármino Souza – secretário de Saúde;
Wanderley de Almeida – secretário de Relações Institucionais;
José Antonio Barroz Munhoz – deputado estadual;
Thiago Milani – secretário de Gestão e Controle;
Vanilde Ribeiro – servidora municipal;
Sílvia Helena Bhartos – servidora municipal;
Messias de Oliveira – procurador municipal;
Daniela Caldo Nunes – procuradora municipal;
Reinaldo Oliveira – servidor municipal;
A terceira da história
A Comissão Processante é a terceira da história de Campinas. No dia 20 de agosto de 2011, após a realização dos trabalhos pela CP, a Casa cassou o ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos por suposta omissão no esquema de fraudes envolvendo contratos da Sanasa. Quatro meses depois, o vice dele, Demétrio Vilagra, também deixou o cargo depois da análise feita pelo grupo do Legislativo.
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Carlos Bassan / Prefeitura
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