Dançarinos fazem ‘arrastão’ no centro de Campinas e ação de protesto contra violência e discriminação mexe com público


Performance realizada nesta quarta (18) e que integra a 11ª Bienal de Dança emociona aposentado e faz plateia refletir sobre a mensagem do grupo de artistas. Performance da Bienal de Dança protesta contra violência e discriminação na região central de Campinas
Cláudio Liza Júnior
Correria, gritos, xingamentos, cenas de assédio. Um “arrastão” feito por dançarinos com a intenção de protestar contra a violência e discriminação nesta quarta-feira (18) mexeu com o público que passava pelo Largo do Rosário, no centro de Campinas (SP), e acompanhou a performance que integra a 11ª Bienal Sesc de Dança, em cartaz até o dia 22 de setembro. “Me trouxe muitos sentimentos”, disse o aposentado Crispiniano Lobo dos Santos, que de tão atento aos movimentos e a mensagem transmitida, chegou a ficar com os olhos marejados. “Como passaram aí, não há sentido nenhum discriminar, machucar o outro. Eu mesmo nunca levantei a mão para uma mulher, acho tudo isso que ocorre um absurdo”, defendeu o ex-caminhoneiro.
Grupo de dança atraiu atenção do público com ato no Largo do Rosário, em Campinas (SP)
Cláudio Liza Júnior “Achei muito bonito. Vi por essas propagandas na praça que era algo de dança. Não deu medo. Quando atacaram um rapaz acho que foi para falar da violência no mundo”, analisou a atendente de farmácia Jacilene Érica Henrique, que parou para apreciar a performance. “Pra mim querem passar uma mensagem de paz”, opinou a monitora de escola Eva da Silva. “Vi uma mensagem sobre como é o mundo agora. Olha lá, todos olhando o celular”, observou o vendedor Romildo Bento. ‘Grupos que incomodam’
Batizada de “Arrastão”, a intervenção artística realizada pela Cia. Etra de Dança, do Ceará e com base em Santos (SP), fez com que o espaço público se tornasse um território de atravessamentos dos dançarinos, representando grupos que são considerados incômodos à sociedade, como jovens periféricos e moradores de rua.
Eles andam, se manifestam em tom alto, xingam às vezes, e fazem representações, como tentar conter alguém que seria um homossexual ou assediar uma mulher. Em progressão, o ápice é um manifesto, onde cansada de assédio e violência, uma artista brada que a cada duas horas uma mulher morre no Brasil, e que 70% dos agressores são seus companheiros.
Crispiniano Lobo dos Santos chegou a se emocionar com a mensagem do “arrastão” realizado por dançarinos
Cláudio Liza Júnior “O público no geral reage à mensagem, principalmente quando vê uma agressão e no final com a questão da violência contra a mulher”, afirmou Ariadne Felipe, dançarina e codiretora.
Sobre a emoção do aposentado que acompanhou a intervenção no centro de Campinas, Ariadne valorizou uma a reação tão direta e emocionada diante da mensagem transmitida. “Ele viu muito bem essa questão de não discriminar, do não uso da violência”, completou.
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