Doença de presidente justificou tentativa de golpe no Gabão

O presidente Ali Bongo está doente, no Marrocos

O presidente Ali Bongo está doente, no Marrocos Tiksa Negeri/Reuters – 28.1.2018

O presidente do Gabão, Ali Bongo Ondimba, acompanha a situação no seu país, após a tentativa de golpe de Estado cometida na última segunda-feira (7) por um grupo de militares, no Marrocos, onde se recupera de uma doença desde o último dia 28 de novembro.

O afastamento de Bongo do poder deixou um vácuo institucional. Anteriormente a Suprema Corte do País e o vice-presidente, Pierre Claver Maganga Moussavou, tentaram ocupar esse espaço e agora aconteceu essa tentativa de golpe.

A conexão com a internet foi restabelecida nesta terça-feira (8) no Gabão, depois de permanecer cortada desde ontem devido ao aparente golpe de Estado frustrado que buscava derrubar o presidente Ali Bongo Ondimba.

O governo ordenou o corte na conexão pouco depois desta tentativa de sublevação, por volta das 8h (horário local, 5h de Brasília) da segunda-feira (7), segundo a ONG Internet Sem Fronteiras (ISF), e a restabeleceu mais de 24 horas depois, de acordo com a imprensa local.

Os alarmes soaram neste pequeno país petroleiro do litoral oeste da África Central, que a família Bongo dirige há mais de cinco décadas, no começo da manhã de ontem. Um grupo de militares sublevados se amotinou na rádio estatal na capital Libreville, com o propósito de “salvar a democracia”.

O suposto líder da tentativa golpista, o tenente Kelly Ondo Obiang, foi detido pouco depois, em uma operação na qual dois de seus soldados rebeldes foram abatidos.

Obiang, à frente do até agora desconhecido Movimento da Juventude Patriótica das Forças de Defesa e Defesa do Gabão (MPJFDS), questionou a capacidade do presidente Ali Bongo para continuar no comando do país.

Presidente está doente e fora do país

Segundo informaram à Agência Efe fontes da embaixada do Gabão no Marrocos, Bongo se encontra em uma residência privada em Rabat cuja localização não foi revelada para continuar seu processo de recuperação, após ter sido hospitalizado anteriormente no Hospital Militar da capital.

O porta-voz do governo gabonês, Guy-Bertrand Mapangou, assegurou à Efe que “a normalidade será restaurada em um prazo de três horas”, depois que nesta manhã vários militares tomaram a rádio estatal para anunciar o estabelecimento de um “conselho nacional de restauração” a fim de “salvar do caos” o país africano, devido entre outras coisas à ausência do presidente.

O presidente gabonês chegou ao Marrocos após ter sido hospitalizado na Arábia Saudita no último dia 24 de outubro por “fadiga severa”, segundo comunicou então a presidência do Gabão, sem dar mais detalhes.

Oposição critica ‘vazio de poder’ no Gabão

O silêncio oficial e sua prolongada ausência do país africano encorajaram a oposição a criticar com dureza o “vazio de poder” existente.

Depois das duras críticas da oposição, o Tribunal Constitucional emendou a Constituição no último dia 14 de novembro para que o vice-presidente do Gabão, Pierre Claver Maganga Moussavou, pudesse presidir o gabinete de ministros à revelia de Bongo.

Já em 3 de dezembro, o rei de Marrocos, Mohammed VI, visitou Bongo durante sua convalescença no hospital de Rabat e foi publicada então uma foto e um vídeo do encontro, que foram interpretados como a forma de se pôr um fim aos rumores sobre o estado de saúde do presidente gabonês.

Marrocos e Gabão mantêm estreitas e estratégicas relações bilaterais em diversos âmbitos, além da amizade pessoal existente entre Mohammed VI e Bongo.

Filho de Omar Bongo, ditador da pequena nação petrolífera do litoral oeste da África Central durante mais de quatro décadas (1967-2009), Ali Bongo sucedeu seu pai em 2009

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