Dois meses após demolição de casas, Campinas monitora áreas públicas para evitar vendas ilegais

Apesar de fiscalização, grupo volta a vender terrenos públicos ilegalmente em Campinas

Apesar de fiscalização, grupo volta a vender terrenos públicos ilegalmente em Campinas

Dois meses após a demolição de casas construídas irregularmente em um local público, Campinas (SP) monitora 18 áreas da cidade para tentar coibir as vendas ilegais. De acordo com a Secretaria de Habitação, no Jardim Itaguaçu 2, onde as residências foram derrubadas após a fiscalização da administração no dia 29 de setembro, os falsos corretores continuam fazendo anúncios de terrenos e aplicando golpes. Em 2017, o Executivo identificou seis casos de vendas em áreas públicas no município.

De acordo com o balanço da Prefeitura, além do Jardim Itaguaçu 2, os terrenos vendidos ilegalmente em área pública de Campinas ficam nos bairros: Loteamento Santa Izabel, Gleba B, Jardim São Judas Tadeu, Jardim Satélite Iris e Jardim Fernanda. A administração orienta a população a procurar a Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab) antes de fechar o negócio para verificar a real situação do lote.

A EPTV, afiliada da TV Globo, conversou com uma das imobiliárias que vende os terrenos e recebeu as ofertas dos lotes. “É assim: a gente tem terreno de 30, 35, 40, 45 mil. A documentação, você tem que ficar com o dono da imobiliário”, afirmou um dos atendentes por telefone. O presidente da Associação dos Moradores do Jardim Itaguaçu 2 também é suspeito de fazer as vendas ilegais, segundo a Prefeitura.

“Os terrenos e todas as casas em construção estão irregulares. As pessoas de imobiliárias e de associação dos moradores estão enganando os trabalhadores”, explicou o diretor de Habitação da Cohab, Edson Cunha.

Na manhã desta quarta-feira (6), casas estavam sendo construídas no mesmo local onde os imóveis foram demolidos há dois meses. O pedreiro Benedito Faustino Pereira afirmou que garantiram para ele que as pessoas poderiam construir nos terrenos e mudar assim que as casas tivessem prontas. A Cohab garantiu que todos os imóveis levantados no local serão derrubados.

Nesta quarta-feira, casas continuavam sendo construídas em lotes irregulares (Foto: Reprodução/EPTV)Nesta quarta-feira, casas continuavam sendo construídas em lotes irregulares (Foto: Reprodução/EPTV)

Nesta quarta-feira, casas continuavam sendo construídas em lotes irregulares (Foto: Reprodução/EPTV)

O dono da imobiliária que falou com a reportagem da EPTV mostrou documentos e certidões que, segundo ele, garantem que todos os terrenos estão legalizados. “No meu entendimento não é área pública. A área pública é mais para baixo. Eu tenho a matrícula, tenho o contrato possessório e tenho o mapa que eu fui obrigado a fazer para provar que a gente não estava em cima de uma área pública”, disse Rafael da Silva Barbosa.

A reportagem também tentou contato com o presidente da Associação dos Moradores do Bairro, mas não obteve retorno.

O déficit habitacional em Campinas é de 36 mil famílias, que estão na fila de espera por moradias de acordo com a Secretaria de Habitação.

Casas que pertenciam a loteadores foram as primeiras demolidas (Foto: Reprodução/EPTV)Casas que pertenciam a loteadores foram as primeiras demolidas (Foto: Reprodução/EPTV)

Casas que pertenciam a loteadores foram as primeiras demolidas (Foto: Reprodução/EPTV)

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