El Niño faz temperatura média máxima subir 2,8°C em Campinas: ‘ Nunca vi calor assim’, diz taxista


De acordo com o Cepagri da Unicamp, é o janeiro mais quente desde o auge da crise hídrica de 2014. Moradores da cidade estão fazendo adaptações para enfrentar a ‘onda quente’. Amanhecer em Campinas nesta quinta-feira (24) Luciano Calafiori/G1
A temperatura média máxima em Campinas (SP) está 2,8°C mais quente do esperado para janeiro. E o primeiro mês de 2019 já é o mais quente desde 2014, segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp. Pela medição da estadual de Campinas, a média máxima deste janeiro registrada até agora está em 32,9°C, sendo que a referência – dados coletados desde 1989 – é 30,1°C. Mais quente do que isso, só no auge da crise hídrica em 2014, quando a média máxima registrada foi de 33,4°C.
E o calorão também afetou a média mínima, ou seja, as noites estão mais quentes. A média mínima do mês registrada até agora é 20,7°C, 0,9°C acima do esperado para este mês. Em relação às temperaturas absolutas neste início de ano, a maior registrada até agora foi no dia 1º, com 34,7°C.
Quem é o ‘culpado’?
Mas o que está acontecendo? A pesquisadora do Cepagri Ana Ávila explica que o responsável pelo calor intenso é o fenômeno climático El Niño, que aquece as águas superficiais do Oceano Pacífico. “Quando tem o El Niño, tem chance de ter temperaturas maiores”, disse Ana.
Ainda segundo a pesquisadora, o fenômeno está bloqueando as frentes frias até a região de Campinas e nas demais áreas do estado. Desta forma, elas acabam sendo desviadas para o oceano. “E quando elas [frentes frias] avançam são de pouca intensidade”, completa Ana Ávila.
Estas frentes frias que chegam “mais brandas” provocam chuvas localizadas, ou seja, chove em uma cidade e em outra não, num bairro e em outro não.
Entre a noite de quarta-feira (23) e a madrugada de quinta-feira (24), Piracicaba (SP) e Jaguariúna (SP) foram atingidas por temporais que provocaram alagamentos e estragos.
Chuva derrubou mais de 70 árvores e galhos em Piracicaba
Edijan Del Santo/EPTV
E o calor, vai embora?
Para os que não gostam do calor, a previsão não é muito favorável. Até o meio da próxima semana as temperaturas altas vão continuar em Campinas, segundo o Cepagri. A máxima prevista para esta quinta-feira é de 33°C.
Água congelada, ar condicionado, ventilador portátil…
O taxista Valdir Cavalari teve que alterar a rotina de trabalho para enfrentar as altas temperaturas em Campinas neste verão.
O carro está sempre com o ar condicionado ligado, mas ele não sai de casa sem uma bolsa térmica que fica guardada no porta-malas. Dentro dela, duas garrafas de água congeladas e duas com água em temperatura normal. “Eu nunca vi um calor assim, tá quente de mais e chovendo pouco”, disse o motorista que está há seis anos na profissão.
O motorista de ônibus Odair Santos está em férias, mas por causa do calor nas últimas semanas foi obrigado a instalar um ventilador portátil no coletivo. “Minha linha não tem ar condicionado”, aponta Santos.
A Isabella Bueno, que trabalha com atendimento ao cliente, resolveu se defender do calor comprando mais ventiladores para a residência onde mora. “Comprei um ventilador para cada cômodo da casa, quartos e sala”, disse ela. O eletricista autônomo Gustavo Pelluci com o climatizador novo
Gustavo Pelluci/Arquivo pessoal
O Gustavo Pelluci comprou um climatizador para a casa onde mora para amenizar os dias quentes. “Vou mais vezes também na chácara da minha família, que tem piscina”, comenta.
A Louise Faria também tem se refrescado com ventiladores em casa, mas no trabalho ela comemora a compra de um ar condicionado. ‘’Na empresa onde trabalho, o ventilador não aguenta o calor e foi instalado um ar condicionado. Em casa, só usamos o ventilador mesmo, mas aumentamos a quantidade de banhos por dia’’ , afirma ela.
A Grabriela Euzébio trabalha em um consultório dermatológico que tem ar condicionado. “Só percebo o quanto está calor quando volto para casa”, relata.
Já a Gisele Mesquista, que também trabalha com atendimento ao cliente, não dispensa um ventilador portátil, mesmo com ar condicionado onde trabalha.
Gisele Mesquita trabalha com um ventilador portátil
Gisele Mesquita/Arquivo pessoal
*Joyce Santos colaborou com a supervisão de Luciano Calafiori
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