Em busca de um emprego, centenas de pessoas lotam o Sine no centro de Porto Alegre

Sine lotou nesta segunda-feira Crédito: Alina Souza

Sine lotou nesta segunda-feira Crédito: Alina Souza Correio do Povo

Começar 2019 com um emprego. Essa foi um das resoluções de Ano Novo da porto-alegrense Karen Fabiana. Desempregada há quatro meses, ele é uma dos 12,2 milhões de brasileiros sem ocupação formal e uma das centenas de pessoas que diariamente formam filas em frente ao prédio do Sistema Nacional de Emprego (Sine), no Centro da Capital. Nesta segunda-feira ela compareceu ao local para uma entrevista para uma vaga, que conseguiu após dar entrada no processo na última sexta. “É difícil viver assim. Só quero um trabalho”, conta, enquanto espera ser chamada para realizar a prova. Nesta manhã, a procura por vaga era grande no Centro Histórico.  Karen, de 40 anos, tem experiência com serviços de call center e trabalhou pela última vez com promoção de eventos. Teve que pedir demissão para cuidar da mãe, que estava com um problema de saúde. “Hoje, é ela que me ajuda, porque eu tenho um filho. Também tenho dinheiro da pensão, mas não é para viver com esse dinheiro”, diz. Ela tem ensino médio completo e, no passado, começou a cursar História e Marketing, em momentos distintos, em uma universidade particular de Porto Alegre. Contudo, abandonou os estudos por falta de condições financeiras. “Quero fazer um curso técnico, porque eu vejo que quem contrata tem buscado pessoas com mais qualificação, não importa para o que seja”, ressalta. Enquanto aguarda, em pé em um canto do saguão do Sine, ela se abana com a carteira de trabalho e o encaminhamento para a seleção. A sala está lotada – todos os assentos ocupados e várias pessoas em pé –, e os ventiladores e aparelhos de ar-condicionado não dão conta de refrescar o ambiente. De acordo com o Diretor de Trabalho, Emprego e Renda da Prefeitura de Porto Alegre, Leandro Balardin, em média 350 pessoas passam pelo Sine Municipal, que começa a funcionar às 8h, todos os dias. “O desemprego é um problema sério e tem gente que chega aqui e não trabalha há quatro anos. Estimamos que vamos atender, só em janeiro, dez mil pessoas”, analisa. Balardin explica que nesta segunda o movimento será maior por causa da abertura de 79 postos de emprego permanente abertas, exclusivamente para moradores de Porto Alegre. As agências FTGAS/Sine estão oferecendo 2.945 vagas de trabalho de ampla concorrência e 316 exclusivas para Pessoas com Deficiência no Rio Grande do Sul, neste início de ano. Do total das vagas abertas no Estado, 58% das oportunidades não exigem experiência e 30% não exigem escolaridade. Ainda, com relação à escolaridade, 26% das vagas exigem Ensino Médio completo e 23%, Ensino Fundamental completo. As agências com maior número de vagas abertas são Porto Alegre (222), Santa Maria (31), Viamão (16) e Caxias do Sul (13). No Rio Grande do Sul, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima 487 mil desempregados no terceiro trimestre de 2018, dos quais 90 mil estavam  a procura de ocupação por pelo menos dois anos – o número de pessoas nessa situação segue o mais elevado desde o início da série histórica em 2012. Sentado no fio da calçada em frente ao prédio, Mauro Souza, 28 anos, chegou um pouco antes das 6h no Sine e quer uma das posições de serralheiro ou marceneiro, mas não descarta qualquer outra. Ele revela que perdeu as contas de quantas vezes foi até o local em 2018 e de quantos currículos já enviou nos quase 30 meses que está sem emprego formal. “Eu vivo fazendo bicos, mas é tudo sempre muito corrido e apertado para sobreviver”, diz. Além de Mauro, Andressa Fagundes, 25 anos, também faz parte desse índice. Ela trabalhava em uma pet shop quando o local fechou há mais de dois anos. Desde então, vive “no aperto”, com o sustento da família. “Eu tenho sorte por morar com meus pais, eles fazem tudo por mim. Ou estava ferrada, ainda mais por ter um filho”, conta em bom humor. Para ela, uma das maiores dificuldades diz respeito aos estudos do Ensino Médio, os quais não conseguiu terminar. “Estou fazendo EJA agora, porque eu sei que é importante, as pessoas valorizam muito a educação nas vagas”, diz, enquanto aguarda sentada no chão da calçada em frente ao edifício, ao lado da amiga Indiara Mariana, de 21 anos. Esta é a primeira vez que elas foram ao posto. Andressa diz que elas moram na bairro Azenha, onde há uma unidade do Sine, mas preferiram se deslocar até o Centro Histórico . “Decidimos vir ontem mesmo. A gente vê na televisão as filas dobrando a esquina, então pensamos que aqui pode ter mais coisa”, conta. Para Mariana, que está há quase um ano sem trabalhar, a maior dificuldade é conciliar os estudos do ensino fundamental com a busca por um emprego. “Eu era operadora de caixa, mas saí para ter meu filho e nunca mais voltei. Minha mãe está muito preocupada com a situação”, disse. Mariana afirmou que não está em posição para escolher vagas e que a prioridade é sair emprega. Questionada sobre quantos currículos já enviou, ela coloca a mão na cabeça para pensar e não fala nada por alguns segundos. Tempo suficiente para a amiga brincar: “já foram uns mil”. “Não foram tantos assim. Acho que uns 40, entre versões online e impressa”, rebate. “Se Deus quiser, hoje isso vai mudar”, conclui. 

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