Família de jovem saudita que se trancou em hotel chega à Tailândia

Jovem saudita fugiu de família e se trancou em hotel

Jovem saudita fugiu de família e se trancou em hotel TWITTER/ @rahaf84427714/via REUTERS/07.01.2018

O pai e o irmão da jovem saudita Rahaf Mohammed al-Qunun — que fugiu de sua família e se trancou em um quarto de hotel de aeroporto na Tailândia para evitar ser deportada — chegaram a Bangkok nesta terça-feira (8), anunciou uma autoridade tailandesa para a imigração. As informações são da agência de notícias Reuters.

Os parentes estariam dispostos a se reunir com Rahaf, de 18 anos — que alega ter medo de ser morta pela família por ter abandonado o islã. Ela afirma ter sido vítima de abusos e cárcere privado. A jovem está agora sob os cuidados do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) — que, segundo o chefe de imigração da Tailândia, Surachet Hakpal, é quem pode viabilizar o encontro entre os parentes.

À rede de notícias americana CNN, o Acnur disse que não teve contato com as autoridades tailandesas em relação à chegada da família de Rahaf e aponta que qualquer reunião seria improvável — já que a jovem “declarou seu medo de ver os parentes”. Caroline Gluck, oficial regional de informação pública do Acnur em Bangkok, apontou ainda que a notícia [sobre a chegada do pai e do irmão] seria “muito preocupante” para Rahaf.

Entenda o caso 

A Tailândia suspendeu nesta segunda-feira (7) os planos que tinha de expulsar a jovem do país. No fim de semana, ela publicou no Twitter um vídeo em que aparecia bloqueando a porta de seu quarto de hotel em Bangkok com uma mesa e um colchão. O caso gerou comoção internacional. 

A saudita disse à Reuters que fugiu do Kuweit enquanto sua família visitava o país do Golfo e que planejava viajar da Tailândia para a Austrália para pedir asilo, mas foi detida após desembarcar em Bangkok e informada que seria enviada de volta ao Kuweit.

“Meus irmãos e minha família e a embaixada saudita estarão me esperando no Kuweit”, disse Rahaf por mensagens de texto e voz enviadas de seu hotel no domingo (6). 

“Eles vão me matar”, disse. “Minha vida está em perigo. Minha família ameaça me matar pelas coisas mais triviais”.

A cultura saudita e a política de guardiões exige que mulheres tenham a permissão de um parente homem para trabalhar, viajar, se casar e até ter acesso a alguns tratamentos médicos. No ano passado, o país muçulmano altamente conservador suspendeu uma proibição que impedia mulheres de dirigir.

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