Filho de sócio de Chapo conta sobre assassinatos e armas do cartel

Desenho representa Vicente Zambada durante audiência nesta sexta-feira (4)

Desenho representa Vicente Zambada durante audiência nesta sexta-feira (4) Jane Rosenberg / Reuters / 3.1.2019

Vicente Zambada, filho de Israel “El Mayo” Zambada, um dos principais líderes do cartel de Sinaloa, voltou a depôr no julgamento do traficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán nesta sexta-feira (4) e contou que a organização trazia 99% de suas armas dos EUA.

Segundo ele, o cartel vendia as drogas em território norte-americano e trazia de volta “milhões de balas” e centenas de armas todos os meses. Com isso, ele demonstrou como funcionam as relações de crime organizado entre os dois países.

Detalhes sobre assassinatos

No depoimento, ele também relatou como o pai e Chapo definiam pessoalmente sobre assassinatos de inimigos do cartel. Eles discutiam objetivos, riscos e métodos antes de aprovar. A pedido dos promotores, deu detalhes sobre algumas tentativas em particular.

Em uma ocasião, após comprarem um equipamento que gravava telefonemas dos membros do cartel, os chefões flagraram um dos membros da quadrilha, chamando José Beltrán, chamando Chapo e Mayo de “velhos desgraçados” e dizendo que era momento da “nova geração” subir ao comando. Ele foi morto em seguida.

Outra vítima da ira de Mayo Zambada foi um capanga chamado Teco Lindoro. Ele estava no cartel desde jovem e era considerado um “protegido” do chefão. Em um telefonema interceptado, eles descobriram que o rapaz estava trabalhando paralelamente com o cartel rival de Tijuana.

Mayo ficou irritado e planejou o assassinato de Lindoro. Ele chamou o rapaz para uma reunião e, assim que ele entrou na sala, foi algemado e entregue a um assassino de aluguel. E nunca mais foi visto.

Tentativa da defesa

Na parte da tarde, Zambada foi questionado sobre a defesa de El Chapo. O objetivo dos advogados era provar que, na realidade, o pai de Vicente, El Mayo, seria o líder de fato do cartel de Sinaloa e Chapo nõa passaria de um bode expiatório.

Vicente, no entanto, explicou que os dois tinham a mesma importância dentro da organização e tomavam as decisões em conjunto. Quando os advogados questionaram por que El Mayo jamais tinha sido preso, disse apenas que a culpa não era dele.

Ele disse que decidiu se aposentar da vida no cartel depois de descobrir que uma quadrilha rival pretendia matar sua mulher. Vicente disse que tentou colaborar com o DEA, a agência antidrogas dos EUA como um homem livre, mas que foi preso pela polícia mexicana em seguida.

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