Governo e manifestantes seguem longe de um acordo no Equador

O governo do Equador e os manifestantes que rejeitam as medidas de austeridade do presidente Lenín Moreno não chegaram a um acordo nesta sexta-feira (11). As duas partes se mantiveram firmes em suas posições após nove dias de protestos

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Embora o governo tenha pedido a volta da paz como condição mínima para um diálogo, nesta sexta-feira (11) milhares de manifestantes saíram novamente às ruas de Quito liderados por indígenas, que disseram que radicalizarão o protesto até que a eliminação dos subsídios do diesel e da gasolina seja revogada

“Enquanto cada uma das partes permanecer radicalizada em suas posturas, eu creio que seja muito difícil, quase impossível que aconteça esse diálogo”, disse o vice-presidente da Conferência Episcopal Equatoriana, Luis Cabrera, a uma rede de televisão. O país segue em estado de exceção desde a semana passada

No nono dia de protestos, e logo depois de enterrarem um companheiro morto durante a greve nacional de quarta-feira, algumas centenas de indígenas procedentes da Amazônia chegaram a Quito com lanças e rostos pintados em sinal de combate para se somarem à manifestação e liderar a marcha que planejava chegar ao Palácio de Carondelet, segundo testemunhas da Reuters

“Fora, Lenín, fora!”, gritavam os manifestantes. A organização indígena Conaie informou que em outras cidades do centro do país o protesto também continua

O governo confirmou que cinco pessoas morreram durante as manifestações, cerca de 133 policiais e 554 civis ficaram feridos e mais de 929 manifestantes foram detidos

Os protestos, os piores em mais de uma década, começaram na semana passada após o anúncio de Moreno de um pacote de medidas que visam reduzir um déficit fiscal para receber créditos de US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões) de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)

“Eles estão nos matando. Estas cápsulas não são de balas de borracha, são de escopeta calibre 12. Estão matando o povo do Equador”, acusou o presidente da Confederação das Nações Indígenas do Equador (Conaie), Luís Vargas

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