Greve dos Correios chega ao 6º dia na região de Campinas; sindicato discute proposta em assembleia

De acordo com diretor do sindicato, proposta será apresentada aos trabalhadores, mas tendência é de que paralisação continue.

A greve dos funcionários dos Correios chegou ao sexto dia nesta terça-feira (2) na região de Campinas (SP). De acordo com o Sintect-CAS, sindicato da categoria, os funcionários vão se reunir em assembleia no fim desta tarde, onde será discutida a proposta realiza pela estatal na segunda (1º). Os carteiros reivindicam fim do fechamento de agências, são contra privatização, demissões e redução de direitos trabalhistas.

De acordo com o diretor do sindicato, Hernandes Nascimento, a proposta feita pelos Correios não atende às exigências dos grevistas. “A proposta que ela fez não é absolutamente nada. Não mudou nada, não ofereceu nada”, critica. “Ainda assim a gente chamou assembleia para dialogar com os trabalhadores.”

Ainda segundo Nascimento, não houve garantia da estatal de que demissões e o fechamento de agências estariam descartados.

“Nem se quer tocou no assunto de contratação ou da manutenção dos nossos benefícios […] Baseado nisso, a orientação do sindicato é que permaneça em paralisação”, diz Nascimento.

Os Correios informaram que aguardam o resultado das assembleias dos trabalhadores sobre a continuidade ou não da paralisação. Em nota, informou ainda que a proposta prevê a revogação, por 90 dias, da medida que suspendeu as férias dos empregados, além da implantação de novas medidas operacionais.

“Quanto ao plano de saúde, os sindicatos poderão apresentar uma contraproposta […] Com relação aos dias parados, a empresa irá realizar o desconto referente à sexta-feira (28). Os outros dois dias serão compensados pelos trabalhadores”, disse a empresa.

Os trabalhadores dos Correios decidiram entrar em greve às 22h de quarta-feira (26), segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect). A paralisação, segundo a entidade, é por tempo indeterminado, caso as negociações não avancem.

A greve é contra a privatização, demissões e retiradas de direitos, além do fechamento de mais de 200 agências no país, informou a Fentect. De acordo com a federação, dos 36 sindicatos filiados à entidade, 33 aderiram. Somente três estados não participam: Sergipe, Amapá e Roraima.

Os funcionários das agências franqueadas, que são terceirizados, não participam da greve. A empresa possui atualmente cerca de 6,5 mil agências próprias, além de mais de 1 mil franqueadas.

Os Correios enfrentam uma severa crise e medidas para reduzir gastos e melhorar a lucratividade da estatal estão em pauta. O presidente, Guilherme Campos, afirmou que a estatal teve um prejuízo estimado de R$ 400 milhões no primeiro trimestre, após ter tido prejuízo anual de cerca de R$ 2 bilhões em 2015 e em 2016. Ele disse ainda que a empresa não tem condições de arcar com sua folha de pagamentos e que demissões de servidores concursados estão em pauta.

A estatal não tem contratações há vários anos – o último concurso foi realizado em 2011.

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