Ilustrações colaboram para a conservação da vida selvagem


Com lápis e papel Pedro Busana traduz informações acadêmicas para o público leigo. “Toda Nação tem sua Bandeira” é uma das inúmeras ilustrações do biólogo Pedro Busana/VC no TG
Desde que foi feita pela primeira vez, em 1826, a fotografia faz parte do dia a dia das pessoas. Do filme ao digital, a prática tem se tornado cada vez mais frequente, inclusive para registrar a natureza. Registros fotográficos mostram, em detalhes, as cores e as características de espécies da fauna e flora. Mas há uma prática ainda mais antiga que retrata, com exatidão, os aspectos da natureza: o desenho. Ilustrador profissional há 12 anos, Pedro Busana começou a desenhar a vida selvagem ainda quando criança, inspirado em programas de televisão. “Assistia programas como Planeta Terra e Repórter Eco e fui me apaixonando pelos animais. As primeiras animações da Disney também incentivaram o desenho e o gosto pela natureza”, conta.
Etograma ilustrado feito para trabalho sobre comportamento reprodutivo de onça-pintada
Pedro Busana/VC no TG
Tamanha admiração se tornou profissão e foi na biologia que Pedro aperfeiçoou as técnicas na ponta do lápis. “Todo animal desenhado tem sua porcentagem de pesquisa feita. Utilizo muitos livros e bancos de imagens digitais para pegar o máximo de referências possíveis e isso inclui fotografias, vídeos e outras ilustrações”, explica o biólogo.
DESENHO E CIÊNCIA
Recentemente Pedro ilustrou o comportamento reprodutivo da onça-pintada através de um etograma, descrição e registro do comportamento animal que podem ser feitos em tabela, texto ou através de gráficos e desenhos. As ilustrações traduzem um conteúdo acadêmico e fazem uma transposição entre o conceito científico e o entendimento pelo público leigo
“A onça-pintada é o maior carnívoro sul-americano e o predador de topo da maioria dos biomas brasileiros. Mesmo sendo um ícone emblemático, ainda há muito para se estudar sobre a espécie e algumas perguntas básicas não foram totalmente esclarecidas”, diz Pedro, que acredita na ilustração como fator importante para a conservação de uma espécie.
A ilustração exemplifica os tipos de dentições de serpentes
Pedro Busana/VC no TG
“Os aspectos reprodutivos são de grande importância para entendermos como podemos ajudar na conservação do animal e quais são as estratégias mais eficientes”, completa. O biólogo ressalta ainda a importância da troca de informação para uma ilustração bem feita. “Houve muita pesquisa com fotografias e vídeos, além das informações fornecidas pelos pesquisadores. Esse tipo de troca é essencial para um trabalho bem executado”, diz. TÉCNICAS
Nas Artes Plásticas há inúmeras maneiras de classificar um tipo de desenho, mas na ilustração científica as técnicas se distinguem de duas maneiras: descritiva, quando a intenção é descrever um organismo, um membro, um órgão ou uma estrutura, e narrativa, quando se pretende descrever um processo ou o desenrolar de acontecimentos ligados à fisiologia, ecologia e comportamento.
Inspirado em desenhos animados, o biólogo ilustra a natureza desde criança
Arquivo pessoal
“O desenho do comportamento reprodutivo, por exemplo, é essencialmente narrativo, uma vez que apresenta a sequência de etapas que culminam numa cópula bem sucedida”, explica Pedro, que diferencia a ilustração da fotografia. “Ilustração e fotografia são independentes uma da outra, mas podem atuar de forma complementar. O desenho geralmente atua na representação idealizada, aquela que dificilmente você conseguiria ver em uma foto”, completa. O desenho dobra a realidade até o máximo da sua conveniência para o artista
VARIEDADE DE ESPÉCIES
Durante os anos de experiência, Pedro pôde ilustrar as mais diversas espécies, desde mamíferos e aves até invertebrados extintos. Diversas espécies já foram ilustradas pelo biólogo, inclusive animais extintos
Pedro Busana/VC no TG
Interessado na ilustração de descobertas recentes e acontecimentos importantes na área da ciência, o biólogo ressalta a possibilidade de retratar diferentes aspectos da vida selvagem. “O objetivo de uma ilustração está atrelado com o objetivo da mensagem, que varia constantemente. Pode ser utilizada para a divulgação de uma característica física, um comportamento, uma relação ecológica, um processo fisiológico, um processo evolutivo ou a relação com a espécie humana”, explica. Detalhes das ilustrações são importantes para os estudos da vida selvagem
Pedro Busana/VC no TG
MAIS OU MENOS COR
Assim como na fotografia, o colorido das espécies retratadas nas ilustrações chama atenção dos admiradores de natureza. No entanto, o uso dos lápis de cor deve ser ponderado. Pedro utiliza três técnicas: desenho tradicional, ilustração digital e técnica mista
Pedro Busana/VC no TG
“Em alguns desenhos fica mais fácil discernir os detalhes quando em preto e branco e outros só são reconhecíveis quando possuem cores. Tudo depende do objetivo e do organismo modelo”, explica o biólogo, que revela o segredo da ilustração: não há regras.
“Taxonomia geralmente não utiliza cores para a descrição de partes anatômicas, mas isso não é uma regra. Da mesma forma, dificilmente você verá uma prancha com araras em preto e branco, mas isso também não é regra”, completa. Para as ilustrações são necessárias pesquisas, análises de fotografias e estudos sobre as espécies
Pedro Busana/VC no TG

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