Incêndios ameaçam habitat de orangotangos na Indonésia

International Animal Rescue/EFE – 18.9.2019

Os devastadores incêndios registrados na Indonésia desde o começo de setembro ameaçam o habitat dos orangotangos, espécie que corre risco de extinção, e motivaram organizações conservacionistas a resgatar vários animais.

Os incêndios, que frequentemente são propositais para abrir caminho para outras plantações ou pastagens, arrasaram com centenas de milhares de hectares e afetam principalmente as ilhas de Sumatra e Bornéu, as únicas onde ainda existem orangotangos.

“Não sobra nada para comer para os que sobrevivem aos incêndios. Eles acabam morrendo de inanição ou ficam isolados sem poderem voltar à floresta. Se forem a plantações ou povoados, correm o risco de serem atacados”, explicou a bióloga que dirige a organização International Animal Rescue (IAR), Karmele Llano Sánchez.

O último dos resgates aconteceu na segunda-feira (16), na cidade de Sungai Wain Kiri, na província de Bornéu Ocidental, onde dois orangotangos foram encontrados no meio de um campo devastado pelas chamas.

O resgate foi um esforço conjunto da agência de conservação indonésia (BKSDA) e da IAR. Foi necessário sedar os animais, um macho que recebeu o nome de Bara e uma fêmea batizada de Arang, ambos com cerca de 20 anos.

Os animais serão tratados no centro de reabilitação da IAR antes de serem reintroduzidos no parque nacional Gunung Palung, a 100 quilômetros de onde foram achados e onde vivem mais de 2.500 orangotangos.

Segundo o presidente da IAR, Tantyo Bangun, a temporada de resgates mal começou e os “efeitos durarão até um ano depois dos incêndios”, levando em consideração o que ocorreu em 2015, o pior ano de incêndios em duas décadas, quando mais de 40 orangotangos foram resgatados.

Centenas de orangotangos morrem a cada ano em Sumatra e Bornéu, onde a fragmentação dos grupos devido à construção de estradas, indústrias, plantações de óleo de palma e outros cultivos ameaçam a espécie.

O governo da Indonésia estima que 71.640 orangotangos vivem nas duas ilhas, embora a população esteja em queda, segundo um estudo divulgado em 2017.

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