POLÍTICA PAULISTA: RENOVAÇÃO X CONTINUÍSMO

*imagem: revista Exame

 

Após o último programa Roda Viva, transmitido pela Rede Cultura, de São Paulo, em 23/11/2020, não foi difícil estabelecer um considerável diferencial entre as candidaturas de Guilherme Boulos-PSOL e Bruno Covas-PSDB à prefeitura da Capital paulista.

Boulos emerge com um discurso mais equilibrado quando o assunto é a Administração Pública, freando um pouco a sanha da terceirização e da demonização dos servidores públicos, com respeito à responsabilidade fiscal.

Já Bruno Covas apenas sustenta o que fez até agora, se resumindo a alguém que defende um legado. É o arauto da continuidade de suas ações de governo, agora afastado de seu padrinho, o governador João Dória, que amarga índices altos de rejeição entre os paulistas.

Problemas como enchentes, pavimentação de ruas e outros mais próximos à realidade da população não foram muito explorados. Optou-se por tratar de temas abrangentes sob o ponto de vista ideológico, em tentativa de expor eventuais propensões dos candidatos, sobretudo seus defeitos.

A cidade de São Paulo já conhece bem a marca do PSDB, do PT e PSD, que dominaram a política nos últimos 24 anos. Seria bom se uma força sem a mácula da corrupção, do conchavo e do liberalismo desenfreado assumisse a cidade. 

Haveria nova expectativa, os cidadãos teriam, novamente, aquela salutar curiosidade ou tensão quando o prefeito fizesse algum anúncio, ou apresentasse algum novo plano.

Do jeito que está, sempre com os mesmos, com essa continuidade partidária, a população tem o raciocínio embotado e, com isso, se vê privada da liberdade de escolher algo novo, simplesmente por medo do desconhecido.

É preciso saber que o poder tem amarras que ninguém rompe. O equilíbrio institucional força até o mais radical a se adequar, sob pena de ser tangido sob vara de um cargo público. 

Com efeito, aqueles que pensam que Boulos virará a cidade de cabeça para baixo estão redondamente enganados.

Esta seria uma ótima chance para os paulistas deixarem um continuísmo que não apresentou soluções efetivas para problemas antigos da cidade, concedendo a si mesmos a oportunidade de uma nova força, que precisa mostrar serviço à população para se consolidar.

Não se trata de paixão política, e sim, de inteligência, tendo como exemplo a iniciativa privada, na qual a concorrência é a alma do negócio.

É uma boa hora para os eleitores paulistanos darem a si mesmos novos e talvez instigantes desafios. Mudar para, quem sabe, voltar a acreditar. 

Aqui, você já sabe: virou notícia, Brasil Comenta!

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Author: José Vieira

Jornalista/Articulista, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, com MBA em Gestão Pública,

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