VITORIOSOS E DERROTADOS

As eleições municipais de 2020 apontaram o fim do radicalismo politico.

Seja de direita ou esquerda, os extremos foram alijados do poder, já que o presidente Bolsonaro foi derrotado na capital fluminense, sua casa, e o PT perdeu todas as capitais que tinha, além de importantes cidades em todo o país.

Já em São Paulo, apesar da expressiva vitória de Bruno Covas-PSDB, Guilherme Boulos-PSOL é o maior vitorioso, pois jamais se esperava vê-lo em um segundo turno de uma eleição na capital paulista.

O desempenho do PSOL no país, conseguindo a capital do Pará, Belém, indica o fim de um ciclo para o PT, que deixa de ser o baluarte da esquerda brasileira.

Entulhado com denúncias de corrupção e com várias lideranças importantes presas ou condenadas pela justiça, o PT, que não realizou sua “mea culpa” pública, amarga a derrocada do partido, inviabilizando suas pretensões para 2022, a menos que todos os opositores tenham gestões catastróficas, o que não se acredita que aconteça.

O presidente Bolsonaro, por sua vez, se torna cada vez mais refém do chamado “centrão” já que não emplacou nenhum candidato nas capitais, ao mesmo tempo em que vê a formação de uma poderosa frente política, formada pelo MDB, DEM e PSDB, que já visa 2022.

Acredita-se que, a partir de agora, as reformas apresentadas pelo governo serão vistas com lupa pelo congresso nacional, que começará a gerar aglutinação de blocos e partidos com projeto próprio de poder.

Esse movimento será extremamente favorecido caso Rodrigo Maia consiga o seu terceiro mandato à frente da presidência da Câmara dos Deputados.

Registre-se que, independente do terceiro mandato à frente da Câmara dos Deputados, o Deputado Rodrigo Maia já se consolidou como liderança natural dentro e fora da Casa, em razão do respeito angariado dentro dos partidos de centro, centro-direita e esquerda.

Não se imagina uma negociação com o Executivo sem a sua participação, direta ou indireta, o que tem sido salutar para coibir vários excessos do governo em suas propostas.

Bem alicerçado em seu estado de origem, o Rio de Janeiro, Rodrigo Maia auxiliou o prefeito eleito Eduardo Paes a impor fragorosa e vergonhosa derrota ao prefeito Marcelo Crivella, que arrastou consigo uma perniciosa onda radical evangélica que se entranhava na administração pública da cidade do Rio de Janeiro/RJ, conforme vários apontamentos da imprensa.

Outro ponto interessante nesse novo cenário eleitoral se refere às candidaturas de policiais, as quais não surtiram o resultado esperado nas urnas, demonstrando um possível esgotamento desse segmento na política, o que representa outra importante derrota para o presidente Bolsonaro, já que esses candidatos formam sua fiel base de apoio.

Um partido que conseguiu elevar de forma expressiva o número de administrados no país, principalmente no Estado do Paraná, é o PSD, do ex-ministro Gilberto Kassab.

Alavancado pela gestão de sucesso do governador Ratinho Junior, que conseguiu eleger 129 prefeitos no estado, o PSD já tem um nome forte a oferecer para a disputa da presidência em 2022, caso se mantenha bem sucedido.

É interessante notar que, não obstante um esgotamento da fórmula política adotada pelo grupo do presidente Bolsonaro, ele ainda tem chances de se fortalecer, caso trabalhe melhor as relações com o parlamento e sua imagem pública, levando vantagem em ser o único rosto expressivo e conhecido nacionalmente no cenário de 2022.

Os outros candidatos potenciais  candidatos, como o já citado governador do Paraná, Ratinho Júnior, além do governador de São Paulo, João Dória, terão que trabalhar sua imagem no cenário nacional para se viabilizar, em que pese a força de seus partidos.

O país começa a viver um novo cenário político, provavelmente mais sensato do que o vivido até o momento, entremeado de radicalismos e inconsequência.

Aqui você já sabe: virou notícia, Brasil Comenta.

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Author: José Vieira

Jornalista/Articulista, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, com MBA em Gestão Pública,

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