POLÍTICA BRASIL: GOVERNADOR DE SÃO PAULO É ALVO DE ISOLAMENTO PARTIDÁRIO

Sem qualquer dúvida, é possível afirmar que o governador de São Paulo, João Dória, não vive o seu melhor momento político.

Não é apoiado pela maioria do Diretório paulista do PSDB, tem grande rejeição por vários membros importantes do partido no país e, por último, não consegue ter o apelo nacional necessário para se cacifar como candidato do partido à presidência da república em 2022.

Em São Paulo, não é de hoje, os aliados do ex-governador Geraldo Alckmin já trabalham pela sua volta ao Palácio dos Bandeirantes, apesar dos planos do governador Dória emplacar o vice, Rodrigo Garcia, nessa posição. As lideranças tucanas não abrem mão do comando do Estado de São Paulo, e isso cria um impasse: ou Rodrigo Garcia migra para o tucanato ou se torna adversário político, já que o seu partido, o DEM, aninhou-se no governo Bolsonaro, deixando, inclusive, órfão o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

No âmbito nacional o drama é maior, pois há razoável rejeição ao nome de Dória, sobretudo quando Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, realiza movimentos ou incursões na mídia. Ele tem sido apontado por lideranças tucanas do país como um ótimo nome a ser lançado para 2022, contrariando frontalmente os planos do governador paulista.

A recente picuinha reativada com o Deputado Federal Aécio Neves, adorado pela bancada federal tucana, foi o que faltava para que o partido optasse por prorrogar o mandato da atual Executiva Nacional e não realizar eleições, nas quais teria Dória competindo e abrindo feridas na legenda.

Tudo indica que o governador de São Paulo sofrerá o mesmo castigo que Rodrigo Maia, caso não consiga uma via melhor de interlocução partidária, e se submeta mais à vontade do PSDB do que a sua. Terá que optar por uma nova legenda caso insista em disputar a presidência da república, o que, a esta altura do campeonato, com a sua popularidade baixa no estado e poucas realizações dentro do programa de governo que apresentou quando eleito, será muito difícil.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, inteligente e perspicaz, coteja Luciano Huck para candidatar-se pelo PSDB; Alckmin, por sua vez, trabalha para fechar o beco em que se encontra o seu afilhado político, lançando sua candidatura ao governo de São Paulo, num merecido “troco” pelo abandono sofrido em 2018. O Senador José Serra observa e, até agora, publicamente não se manifesta; simplesmente trabalha no Senado Federal.

Reforçado pela prorrogação de mandato, Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB, certamente não deseja morrer abraçado a Dória, e vai adotar a posição que a maioria da legenda quiser, sabiamente.

Com o PT aos pedaços, a esquerda desmoralizada, e o PSDB e DEM se desentendendo, o presidente Bolsonaro não poderia ter cenário melhor para 2022, caso não surja uma terceira via de qualidade e expressão nacional, o que é difícil de acontecer. Ele contará com todos os partidos do “Centrão” em sua base de apoio caso se mantenha fiel a eles, atendendo seus pedidos. Será um rolo compressor desgovernado.

Aqui você já sabe: virou notícia, Brasil Comenta.

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Author: José Vieira

Jornalista/Articulista, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, com MBA em Gestão Pública,

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