COVID-19 BRASIL: VIDAS DE POLICIAIS IMPORTAM

Não se trata de um apelo político, ou manifestação contra este ou aquele governante. É uma questão prática que merece a atenção de toda a sociedade, mortalmente maltratada no combate à pandemia, com milhares de vidas produtivas ceifadas.

Observa-se com atenção o glorioso trabalho dos profissionais da Saúde no combate à pandemia e, sobretudo, seus esforços para salvar vidas. Nessa seara de ações heróicas, médicos, enfermeiras, enfim, todos os profissionais que atuam para salvar vidas têm, diuturnamente colocado a própria vida e da de seus familiares em risco, recebendo, por isso, nossa total solidariedade e profundo respeito.

Mas não são apenas estes profissionais que atuam no chamado “front”. Os policiais, e nesse rol incluo, com total certeza e direito, os guardas municipais, têm atuado e morrido, gerando com isso números assustadores. No estado de São Paulo, por exemplo, mais de 2.000 policiais já perderam a vida por conta da Covid-19.

São homens e mulheres saudáveis, que não se furtaram a cumprir o seu dever, a qualquer tempo, seja na contínua e árdua tarefa de conter a criminalidade, bem como em auxiliar os governos a fazer com que sejam cumpridas as terríveis, mas acertadas, medidas sanitárias e o tão combatido isolamento social.

Policiais Militares, Policiais Civis, Bombeiros e Guardas Civis não têm se furtado a enfrentar aglomerações com 100, 200 ou até 700 pessoas, para fazer cumprir as medidas que visam proteger a sociedade, evitando a propagação do vírus e, assim, salvando vidas.

Esta tem sido uma difícil luta para estes profissionais que não podem se negar a cumprir o seu dever, a menos que tenham doenças que aumentem potencialmente o risco de morte, caso tenham contato com o vírus.

Ao menos no estado de São Paulo sabe-se que, a qualquer instante, podemos contar com a presteza e competência da Polícia Militar e das Guardas Civis no atendimento a ocorrências, em um trabalho ininterrupto, o mesmo valendo, sempre, para o Corpo de Bombeiros.

A Polícia Civil, por meio de suas Delegacias de Polícia, espalhadas por todo o território paulista, tem procurado cumprir a sua missão com o máximo denodo, mesmo com efetivo reduzido, atendendo como pode a população, sobretudo a mais carente.

Não transparece correto que estes profissionais, que exercem uma atividade típica de Estado, o que acarreta várias restrições pessoais e até familiares, não tenham o direito de serem vacinados, ao lado dos profissionais da Saúde, para que continuem a prestar o seu relevante serviço, agora com mais destemor e com a garantia de que não estarão a mercê da sorte, desprotegidos, porque aqueles que têm o dever de lhes prover a segurança no exercício do seu mister não atentaram para o fato de que eles também devem ser vacinados com urgência.

Não se trata de um apelo corporativista, absolutamente. É uma questão de justiça em razão do desempenho de uma função essencial à sociedade.

Todo policial tem o dever de agir, quando a situação assim o exigir ou lhe for solicitado. Inclusive, esta ação segue protocolos técnicos que visam garantir a máxima segurança do profissional de segurança pública e dos envolvidos em sua atuação. 

No entanto, não é exigível que este policial o faça em prejuízo da própria vida, sobretudo quando existe a possibilidade do Estado, em nome de quem atua, lhe prover as garantias necessárias para que não pereça.

Não se deseja ver, nas academias e museus das forças policiais, imensos murais com a foto de centenas ou milhares de heróis que atuaram em meio à pandemia, da forma desprotegida como atuam hoje. Não. 

Essa suposta glória não interessa e não satisfaz às famílias dos mortos, que passam a viver, não raro, em situação de extrema contenção e sacrifício com a morte de mães e pais que propiciavam, com o seu abnegado trabalho, o sustento de todos.

É preciso racionalidade, se não houver sentimento. Não é possível deixar desguarnecidos os policiais, que são a primeira e mais forte linha de defesa da sociedade. 

Sabe-se que a quantidade de vacinas é restrita e que a população é a prioridade nesse processo. Porém, ao menos aqueles que estão nas ruas, realizando patrulhamento, rondas, ou atendendo nas Delegacias de Polícia têm que ser vacinados. Esta será uma prova de respeito e de trato justo a esses profissionais e, indiretamente, a seus familiares que, aguardando a sua vez na escala de vacinação, terão um pouco mais de tranquilidade. 

Vidas de Policiais Importam!

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Author: José Vieira

Jornalista/Articulista, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, com MBA em Gestão Pública,

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