INDIGNAÇÃO PATRIÓTICA

É impressionante a crise ética existente no país.  A classe política efetivamente perdeu o rumo e, com ela, também ficou à deriva o desenvolvimento e a economia brasileira.

Vivemos a plena falta de lideranças no meio político e também na sociedade. Há um esvaziamento de quadros partidários, sob o ponto de vista da qualidade, a ponto de políticos jovens dizerem que abominam partidos, esquecendo-se que dependem deles para serem eleitos. Lamentável.

A esse estado de coisas o país reage com repulsa, da mesma forma que São Paulo, em 1932, reagiu à ditadura Vargas, que oprimiu a nação, cerceando as liberdades constitucionais dos cidadãos.

Se há época da Revolução Constitucionalista de 32 os paulistas se indignaram contra a opressão, e com sangue, suor e lágrimas, lograram êxito em ver promulgada uma constituição, agora a indignação não é menor, porém, a forma de lutar, até prova em contrário, é outra.

É inimaginável que tenhamos um presidente da república denunciado pelo Ministério Público Federal, envolto em crimes que o nivelam a um quadrilheiro qualquer.  A República está sendo ferida de morte pelo número de investigados que ocupam cargos públicos eletivos.

Em qualquer país sério, um presidente nessas condições já teria sido afastado para preservar a respeitabilidade do cargo e a imagem externa do país. Em situação similar, todos os ocupantes de altos cargos na Administração Pública ou no Congresso Nacional envolvidos no escândalo, já deveriam ter sido afastados até o fim das investigações.

A economia do país sangra, nossos produtos, a exemplo da carne, são execrados no exterior. Além disso, há um grande conchavo no Congresso Nacional para que se mantenha o presidente denunciado. Os defensores do grupo que está no poder se articulam sem nenhum pudor para a manutenção do status quo. Vergonhoso!

Este é um momento para que todos os brasileiros tenham a mesma consciência que os paulistas, em 1932, tiveram sobre a situação crítica do país. Naquela época, estudantes, trabalhadores e a elite uniram esforços contra as iniquidades do governo, exigindo a volta da legalidade constitucional.

Agora, brasileiros de todos os segmentos sociais devem se unir para exigir a moralização no trato da coisa pública e o expurgo dos que envergonham o nosso país, dilacerando-o com a corrupção desenfreada e descarada, mediante o uso e abuso de cargos públicos.

Com efeito, ao citar o uso irresponsável de cargos, com interesses superficialmente públicos, mas, em verdade, totalmente privados, cria-se total desconfiança quanto às reais motivações das propostas de mudança das leis trabalhistas e da previdência.

Como confiar em um presidente da república denunciado e em sua equipe, atolada até o pescoço em evidências de práticas duvidosas ou criminosas, conforme apontam as investigações da Polícia Federal e Ministério Público? Que credibilidade eles têm para impor pesados sacrifícios aos mais pobres deste país, de forma que nenhum de seus antecessores ousou fazer? Nem um estadista do porte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ousou impor tamanho sacrifício aos mais pobres de uma só vez.

Além disso, causa espécie e soa como escárnio, o presidente do país dizer reiteradamente que não se importa com a opinião pública. Como é possível que um político não se importe com aquilo que o povo pensa? Uma declaração dessas, em um país com mais seriedade que o nosso, geraria movimentação pela sua queda caso não houvesse uma retratação a contento.

Não podemos esmorecer diante da iniquidade. Nós, paulistas, já fizemos sacrifícios pela pátria antes. Não nos furtemos de fazê-lo agora, como forma de honrar, neste 09 de Julho e em todos os dias do ano, a memória dos bravos de 32, e de manter acesa a chama da Justiça, Liberdade e Legalidade.

Estado líder do país, São Paulo deve confirmar sua vocação, seguindo o escrito patriótico esculpido em seu brasão: “Pro Brasilia Fiant Eximia” – “Pelo Brasil, façam-se grandes coisas”.

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