Integrantes de sindicato são detidos após bloqueio de entrada da Unilever e confusão em delegacia de Vinhedo

Integrantes de sindicato são detidos após bloqueio de entrada da Unilever

Integrantes de sindicato são detidos após bloqueio de entrada da Unilever

Integrantes do Sindicato dos Químicos de Vinhedo (SP) foram detidos na tarde deste sábado (7) pela Polícia Militar. De acordo com apuração da EPTV, afiliada da TV Globo, três dirigentes da entidade tentaram impedir a entrada de funcionários da multinacional Unilever – responsável por linhas de higiene pessoal e limpeza – por conta da greve de trabalhadores deflagrada no dia 29 de setembro. Na delegacia do município, outros integrantes do órgão fizeram uma manifestação contra as prisões e mais duas pessoas foram detidas.

De acordo com a polícia, a empresa possui uma ordem judicial para que funcionários não sejam impedidos de entrar na unidade de Vinhedo e, por conta do descumprimento da determinação, os dirigentes foram detidos. Na delegacia, pelo menos 50 pessoas tentaram entrar no local para evitar a prisão dos três homens e houve um princípio de confusão. [veja vídeo acima]

A Polícia Civil do município chamou reforço do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep) de Campinas, além de policiais militares de Valinhos. A corporação afirmou que os manifestantes chegaram a agredir os policiais na Delegacia de Vinhedo com socos e chutes. A porta da unidade também ficou danificada.

Integrantes de sindicato foram detidos neste sábado (Foto: Lícia Mangiavacchi/EPTV)Integrantes de sindicato foram detidos neste sábado (Foto: Lícia Mangiavacchi/EPTV)

Integrantes de sindicato foram detidos neste sábado (Foto: Lícia Mangiavacchi/EPTV)

A Secretaria de Segurança Pública informou, em nota oficial, que foi necessário o uso de força no momento da prisão dos dirigentes sindicais porque os policiais militares foram agredidos. “Caso os envolvidos tenham qualquer queixa quanto ao procedimento adotado pelos policiais, a situação pode ser apresentada na Corregedoria da Polícia Militar”, diz o texto da nota.

Os detidos foram ouvidos, assinaram um Termo Circunstanciado e foram liberados pelo delegado. Dos cinco, um deles é funcionário da unidade de Vinhedo da Unilever, de acordo com a investigação.

O que diz a Unilever

A Unilever afirmou, também em nota oficial, que diante da recusa do sindicato de negociar, obteve na Justiça do Trabalho de Vinhedo uma ordem judicial para garantir o direito de ir e vir e a “integridade dos funcionários”. No entanto, ainda segundo a empresa, o sindicato não respeitou a decisão, o que levou a polícia a “cumprir a liminar”.

“A Unilever Brasil lamenta profundamente o ocorrido e reforça que a sua maior preocupação é garantir a segurança e o direito de ir e vir de seus funcionários. Sempre disposta a negociar, a companhia informa que, diante dos fatos, pediu à Justiça do Trabalho uma mediação. A audiência foi marcada para o dia 10/10, na sede do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas”, completou a empresa.

O que diz o sindicato

O dirigente do Sindicato dos Químicos, Francisco de Souza, afirmou que a conduta da Polícia Militar foi arbitrária. “Totalmente exagerado, não tinha motivo nenhuma para fazerem isso”, contou.

Policiamento foi reforçado na Delegacia de Vinhedo (Foto: Lícia Mangiavacchi)Policiamento foi reforçado na Delegacia de Vinhedo (Foto: Lícia Mangiavacchi)

Policiamento foi reforçado na Delegacia de Vinhedo (Foto: Lícia Mangiavacchi)

A greve dos trabalhadores da unidade de Vinhedo da Unilever teve início no dia 29 de setembro. Cerca de 450 trabalhadores estão parados. Na quinta-feira (5), O diretor do sindicato, Diego Francisco Henrique, disse ao G1 que no dia 22 de setembro foi anunciada a demissão de 130 trabalhadores, por conta da terceirização de um setor. Os trabalhadores parados abrangem as áreas mecânica, logística e de processos. A indústria da cidade tem, ao todo, cerca de 700 funcionários.

“Quando anunciou, a gente teve uma reunião. A proposta do sindicato é manter os postos de trabalho e a empresa quer um PDV [Plano de Demissão Voluntária]. Diz que quer fazer uma reestruturação e precisa contratar uma empresa terceira”, afirma o diretor.

O sindicato alega que haverá uma redução brusca nos salários para o setor fabril com a terceirização. “A média salarial em Vinhedo para trabalhadores no setor fabril é de R$ 4 mil bruto e os que vão ser contratados pela empresa terceira vão ser contratados por R$ 1.270 bruto. […] Além de precarização, a Unilever quer aumentar o lucro dela”, afirma o diretor.

Também na quinta-feira, a Unilever confirmou, por nota que as demissões fazem parte de um programa de reestruturação com o intuito de “manter a fábrica de Vinhedo competitiva por meio de ganho de eficiência no processo produtivo e da especialização da área de logística”, feita por meio de terceirização. Ao todo 130 funcionários serão afetados, sendo a maioria do setor de logística.

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