Jovens apostam em alternativas para consumir moda: ‘aprendi a refletir sobre o que vou usar’


De grupo para troca de roupas a assinatura de guarda-roupa compartilhado, jovens de Campinas encontraram alternativas mais sustentáveis para dar um ‘up’ no guarda-roupa. Jovens de Campinas (SP) criam grupo para trocar roupas, com o objetivo de ampliar vida útil das peças.
Victória Cócolo/G1
Com qual frequência você compra roupas e acessórios? A discussão sobre o impacto ambiental causado pela indústria da moda motivou jovens de Campinas (SP) a buscarem alternativas mais sustentáveis de consumo. As opções vão desde troca de peças entre amigas até a assinatura de planos em um guarda-roupa compartilhado. Na busca por diversidade e um estilo de vida mais sustentável, um grupo de jovens estudantes da Unicamp criou o projeto “Adote uma roupa”. Desde janeiro de 2018, as jovens se reúnem para compartilhar a história e apresentar peças sem uso do próprio guarda-roupa. Depois do ritual, as roupas são trocadas entre as elas. O que ninguém quer, se transforma em doação. Os encontros do “Adote” acontecem cerca de duas vezes ao mês. Maira Martins, estudante de pedagogia, é a idealizadora do projeto. “Parto do princípio de que quanto mais damos, mais as coisas voltam para nós”, afirma. A estudante relata que a quantidade de roupas é cada vez menor, já que as 40 integrantes do adote “aprenderam sobre desprendimento”.
“Se mais de uma quiser a mesma peça, a roupa vai para a “pilha da briga”. No final resolvemos com quem fica. Às vezes tem uma roupa que estava na edição anterior e fica com a pessoa que queria antes”, diz Maira Martins. Nova forma de relacionamento com as roupas A estudante de educação física Beatriz Scarlett afirma que há um ano, antes de começar a participar do grupo, sofria com compulsão por comprar roupas. Ela relata que possuía cinco cartões de crédito de lojas e gastava cerca de R$200 em roupas por mês. “Eu comprava e acabava não usando. Aqui eu aprendi a refletir sobre o que realmente vou usar. Percebi que a proposta do grupo era o que eu buscava, em cada encontro as meninas ficam com roupas novas e eu também”, afirma Beatriz. Jovens contam história das peças de que estão se ‘desapegando’, no grupo ‘Adote uma roupa’, em Campinas (SP)
Victória Cócolo/G1
Antes do “Adote”, a jornalista Giovanna Breve não conhecia iniciativas acessíveis de moda sustentável na cidade. Apesar de se interessar pelo assunto, os polos sempre eram em São Paulo (SP) ou tinham o custo elevado, por usarem produtos orgânicos ou veganos na confecção. Por ser gratuito e em Campinas, ela conta que ficou curiosa com a iniciativa – que conheceu através de amigas. “É uma coisa acessível, que não custa nada, o que junta o útil ao agradável. Além da roupa, você troca energia e compartilha um pouco da sua história com o próximo”, diz Giovanna.
Já pensou em fazer a assinatura de um guarda-roupa?
Localizado no bairro Taquaral, um espaço compartilha roupas, sapatos e acessórios com quem se interessar, através do pagamento de assinaturas. Milena Carlstrom as duas sócias sempre trabalharam com moda e o acúmulo de peças resultou na ideia de criar um guarda-roupa compartilhado. Primeiro ‘guarda-roupa compartilhado’ de Campinas (SP), funciona no bairro Taquaral
Milena Carlstrom
O empreendimento funciona por meio de planos de assinatura. A partir de uma certa quantidade de dinheiro por mês, você escolhe um número de peças para levar para casa, por determinado tempo. A empresária diz que o negócio foi pensando como uma iniciativa de moda sustentável. “Se a gente continuar consumindo do jeito que a gente consome, o planeta não vai durar, então tem toda a preocupação com o meio ambiente, Milena Carlstrom”. Formada em Controle Ambiental, Rebecca Lorenzetti afirma não comprar roupas novas há cerca de dois anos. Todas as peças adquiridas nesse tempo foram compradas em Brechós. “Sempre tive preocupação com as questões do impacto do consumo no social e ambiental. Como eu gosto muito de moda entrei nessa âmbito também”, conta. Rebecca Lorenzoni, cliente do guarda-roupas compartilhado em Campinas (SP), escolhe peças para levar para viagem.
Milena Carkstrom
Rebecca é cliente do guarda-roupa compartilhado desde outubro de 2018. Ela acredita que a iniciativa pode ajudar pessoas a consumirem roupas de uma maneira menos nociva ao planeta. Além disso, a jovem afirma que o consumo de moda compartilhada a faz se sentir mais livre para se vestir de maneira diferente. ” Lá eu tenho acesso a peças que eu não necessariamente compraria, mas tenho vontade de usar naquele dia, então dá para quebrar um pouco das regras de como a gente tem que se vestir o tempo todo,” afirma.
*Sob supervisão de Ana Letícia Lima
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