Marcos Pontes estima R$ 400 milhões para terminar Sirius e busca ‘parcerias’ de pesquisa de outros países


Ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações esteve nesta quinta-feira no principal projeto do governo federal de pesquisa científica, em Campinas. Marcos Pontes esteve no Sirius nesta quinta-feira
Fernando Evans/G1
O ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, esteve na tarde desta quinta-feira (19) na obra do principal projeto do governo federal de pesquisa científica, o Sirius, em Campinas (SP), e afirmou que estima mais R$ 400 milhões para o término do complexo. A declaração foi dada em um encontro de equipes de ciência, tecnologia e inovação de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, países do chamado Brics. Após a reunião, o ministro, apesar de descartar investimento financeiro, disse que negocia com os países para parcerias de coooperação em outras instalações semelhantes de pesquisa, mas não da “categoria do Sirius”. Ele reafirmou o interesse de tornar o Brasil um membro do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern). Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil “Eu tenho trabalhado para ser um membro associado do Cern, então todas essas cooperações internacionais potencializam o resultado que a gente pode ter. Tudo isso segue um aprendizado grande pros nossos cientistas e quando você fala isso aumenta o potencial de criação e produção no pais”, disse Pontes. Maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil, o projeto recebeu até setembro repasse de R$ 75 milhões dos R$ 255,1 milhões previstos para 2019 — 29,4% do total. Do valor repassado, R$ 50 milhões foram gastos. A redução do orçamento impede a conclusão das 13 cabines de pesquisa em 2020, como era previsto. Além de estimar o valor para o término do projeto, o titular da pasta informou que, apesar do alto investimento, o governo federal espera um retorno rápido. “O Brasil até agora investiu cerca de 1,3 bilhão aqui, essa organização, o Cnpem, é uma das que tenho muito orgulho no ministério e pra completar isso aqui, aproximadamente R$ 400 milhões. Parece muito dinheiro, certo? Mas o retorno desse investimento é gigantesco”, explicou. O Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de “raio X superpotente” que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Atualmente, há apenas um laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia.
No Brasil, essa tecnologia só está disponível em equipamentos de 2ª geração, em funcionamento há mais de 20 anos.
Prazo em risco
Apesar de garantir o início de operação no próximo ano, o diretor do projeto, Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), afirmou no início do mês que o orçamento dotado pelo governo federal impede a conclusão no prazo inicial. Segundo ele, a entrega de todas as 13 linhas de pesquisa previstas no Sirius deverá ficar para 2021. “Se das 13 [linhas de pesquisa] vamos entregar sete, oito ou nove em 2020, tudo vai depender de como as coisas andem. À medida que os recursos forem liberados, conseguimos programar as outras linhas”, diz o diretor. “Não tem milagre. Você atrasa o escopo total do projeto, mas o ponto importante é que foi possível fazer uma gestão para que o Sirius comece a dar retorno. Com a entrega da primeira linha de luz, ele começa a ser utilizado”, defende Silva.
Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP).
CNPEM/Sirius/Divulgação
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