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Meu ponto de exclamação!

Passei os últimos dias vendo, ouvindo e lendo manifestações intensas e apaixonadas num acalorado “debate” político-eleitoral-carnavalesco-pátrio. Entrei no enredo apenas profissionalmente, mas fora do ar me mantive “isento” como jurado de desfile de escola de samba.

Não tive disposição para discussões, algumas das quais com a profundidade de piscina infantil. Confesso que, a essa altura da vida, fiquei com vergonha de entrar na água com minhas boias de braço com motivos de super-heróis bem-intencionados e salvadores da humanidade.

Permaneci à distância, observando os “argumentos” de um lado e de outro. MAS ACHEI UMA COISA ENGRAÇADA! AS POSIÇÕES PARECIAM BEM DIVERGENTES! PARTIAM PARA A AGRESSÃO, A OFENSA E A INTOLERÂNCIA! MAS HAVIA UM PONTO EM COMUM! TODOS FALAVAM COM LETRAS MAIÚSCULAS! E COM PONTOS DE EXCLAMAÇÃO!

Percebi também a profusão de “comentaristas” de desfile que não viram desfile algum. E que analisaram temas somente a partir de manchetes, sem nenhuma leitura, sem diferenciar informação, interpretação e opinião. Enfim, era tudo uma coisa só e, apesar das divergências intransponíveis, todos participavam do bloco “Eu Tenho Razão”, o maior deste país folião. E poderiam formar um imenso coro para cantar “Besta É Tu” uns para os outros, grande sucesso dos Novos Baianos num tempo que novo era novo mesmo.

Fui “salvo” de tudo isso por uma menina de 19 anos, sempre interessada em discussões verdadeiramente conscientes e profundas sobre política, feminismo e as mais variadas questões sociais. Justo ela, a mais engajada das engajadas, que me permitiu ter alguns momentos de saudável “alienação”, de felicidade e de orgulho. E para isso bastaram dois minutos em que pude ver o seu lindo sorriso e os seus olhos brilhantes.

Passou por mim no sambódromo e foi em frente tocando surdo com a bateria da escola que ela ajudou a subir para o grupo especial, com muito axé e respeitando a fé. BATUCOU O MEU CORAÇÃO EM LETRAS GARRAFAIS E COM EXCLAMAÇÃO! E me fez, aos 53 anos, torcer pela Colorado do Brás desde criancinha!

E de ponto de exclamação ela entende, sempre me enviando mensagens de “te amo!” e me incentivando com os seus constantes “que legal!”. Obrigado, filha! Obrigado por me resgatar da piscina infantil dos que têm aquela velha opinião formada sobre tudo. Um lugar onde todo mundo grita. Só grita e nada!

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