Mudança climática é novo inimigo dos povos tradicionais da Bolívia

O povo Uru sobrevive há milênios nas terras altas da Bolívia. Resistiram às invasões do império Inca e também à colonização espanhola. Também conseguiram manter suas tradições, apesar de todas as pressões da modernização. Mas agora enfrentam um inimigo ainda mais formidável: a mudança climática

Ao longo dos séculos, o
povo Uru vive em torno do lago Poopo, morando em
ilhas flutuantes de junco e ao longo das margens da costa, pescando pela
sobrevivência. Mas não mais

Depois
de anos de seca ter deixado a terra ressequida onde o enorme lago costumava
estar, o povo Uru encara a possibilidade d de o seu modo de vida desaparecer

‘O lago secou novamente, pelo terceiro ano consecutivo’, diz Rene Ayma Fuentes, que lidera o conselho de supervisão das 23 cooperativas de pesca ao longo do lago

‘O primeiro ano em que secou foi em 2014, quando
fomos testemunhas de um desastre natural no qual milhões e milhões de peixes,
pássaros e plantas aquáticas morreram. Atualmente, não há pássaros ou plantas,
como se pode ver’

Segundo
a Universidade Técnica de Oruro, a temperatura do planalto boliviano aumentou
0,9°C, o suficiente para agravar os efeitos da seca. O aumento da temperatura faz com que a água das chuvas eventuais evapore
muito mais rapidamente do que costumava, impedindo qualquer acúmulo
significativo

Nos últimos anos, muitos dos homens Uru deixaram suas
aldeias tradicionais para encontrar trabalho, principalmente na mineração ou em
alvenaria

Outros tentam cultivar a terra e vender artesanato, enquanto buscam uma maneira sustentável
de manter sua cultura viva, na esperança de que o lago retorne

‘O Lago Poopo tinha peixes grandes. É por isso que
nunca pensamos que iria secar. Nossos avós falavam sobre como as moscas se
reuniriam na beira do lago e os avós diziam que secaria. E eu não acreditava
que secaria. Era tão grande que as pessoas chegavam a se afogar’, lembra Evarista Flores.

Em 2010, entre 100 e 200 membros da tribo viviam em quatro comunidades ao redor do lago. Hoje, apenas dezenas vivem o ano todo em cada uma

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