No Dia das Crianças, a história de inspiração de um pequeno explorador da natureza


Heitor, de 4 anos, já desbravou o Pantanal e a Amazônia e tem a Mata Atlântica como “quintal”. Desenvolvimento acelerado, esperteza e amor pela natureza são observados no pequeno Heitor. Giovana Alves de Souza/Acervo Pessoal
Aqui a gente não tem televisão e os celulares são muito antigos. O Heitor só foi ao shopping três vezes e não sente falta da cidade, já incorporou essa ideia. Isso não é privação, é privilégio
É com a frase acima que a bióloga Giovana Alves de Souza descreve a vida de sua família. Casada com o ecólogo Paulo Rubim, ela abandonou o ambiente urbano, há quatro anos. O motivo da mudança era a busca por um contato mais intenso com a natureza: “passamos muito tempo na Floresta Tropical e era nela que tínhamos vontade de ficar”, conta Rubim. A oportunidade parecia perfeita: um sítio há mais de 1,5 mil metros de altitude na cidade de São Luiz do Paraitinga (SP) surgiu como um pedaço do paraíso. O que Giovana e Rubim não imaginavam era que a realização de outro sonho também estava a caminho e bem perto. Casal encontrou a morada ideal junto com a conquista do primeiro filho
Giovana Alves de Souza/Acervo Pessoal
Quando se mudaram para a área, a bióloga não sabia, mas estava grávida e logo essa nova vida foi incorporada à natureza. “Durante toda a gestação conversávamos com ele sobre as plantas, os animais, sons, cheiros e cores que a floresta nos apresentava”, comentam os pais. Depois de cinco meses vivendo no local, o casal preparou o terreno para a vinda de uma criança. Desde os primeiros momentos da criação do menino o incentivo era um só: a independência e amor pela biodiversidade. Na escola de Heitor, os próprios pais realizam um projeto voluntário de observação de aves e, em casa, o foco da criança está na horta, nas trilhas e nos passeios pelo mata particular no “quintal”. “Acreditávamos que ele mereceria ter uma experiência de natureza e de simplicidade”. Heitor conta que gosta de encher a mochila de brinquedos e sair explorando a mata
Giovana Alves de Souza/Acervo Pessoal
Os estímulos surtiram efeitos e os pais observaram que Heitor foi precoce em alguns momentos marcantes do desenvolvimento. “Ele desfraldou com um ano e seis meses de idade, começou a andar de bicicleta sem as rodinhas com três anos e agora já caminha longas distâncias com muita agilidade e sem demonstrar cansaço”, se orgulha o casal. As percepções fazem sentido já que o contato com a natureza já foi provado como um estímulo físico, mental e emocional desde a primeira infância. Com apenas quatro anos de idade, Heitor já desbravou com os pais o Pantanal e a Amazônia, mas é em casa, em plena Mata Atlântica, que se realiza. “Apresentamos a ele os organismos. Aprendeu que cada ser da natureza tem um nome específico. A pescaria também é algo bem presente… Ele adora!”, contam os pais. Pescaria esportiva é uma forma de incentivar conhecimento e cuidado com a natureza entre as crianças
Giovana Alves de Souza/Acervo Pessoal
A mãe descreve ainda que, para Heitor, a natureza é um presente e, não raro, ele distribui folhas, flores e sementes como um regalo para as pessoas que gosta. Apaixonado também pelo folclore e por histórias como a do lobisomem ou de mapinguari (uma criatura lendária da Floresta Amazônica), o garoto vibra com o encontro de rastros, penas e até fezes na mata, sempre inventando histórias e achando hipóteses para a presença desses elementos no local.
Um fato engraçado ocorreu numa viagem à Amazônia: logo que começamos a trilha, o Heitor perguntou ao guia se ali era região de mapinguari. O guia, por sua vez, disse que mapinguari não existia… O olhar de decepção foi nítido. Rapidamente, contornamos a situação e dissemos que ele não existia naquele local
Na mata, os pais já foram surpreendidos por cobras que só o garoto havia notado a presença e alertado. Com esse instinto sensível e atento, Heitor também aprendeu a prestar atenção na beleza de um pôr-do-sol ou até a valorizar o cheiro das árvores, detalhes que emocionam os pais.
Cuidado com o meio ambiente e valorização da biodiversidade são incentivados desde o nascimento em Heitor
Giovana Alves de Souza/Acervo Pessoal
Apesar de ser cedo para garantir quais caminhos o pequeno Heitor irá trilhar, na brincadeira de criança um caderninho de anotações já é objeto indispensável para ele realizar suas “pesquisas” na mata. “Eu não sei o que ele será no futuro, mas espero que ele seja feliz. A consciência de que ele é só uma peça no todo, a necessidade do respeito, as noções básicas de consciência ecológica… isso eu sei que ele já tem”, conclui a mãe.
Heitor explica que cuida de bichinhos e protege as plantas e que isso o deixa feliz
Giovana Alves de Souza/Acervo Pessoal

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