NOVA TRAGÉDIA, VELHAS DESCULPAS

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Novamente o Brasil assiste, atônito, a mais uma tragédia envolvendo mineradoras, desta vez na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, com o rompimento de uma barragem da empresa Vale do Rio Doce, em 25/01 do corrente ano.

Estranhamente, esta é mais uma barragem da Vale que rompe e causa destruição plena, há apenas 200 km da cidade de Mariana/MG, que vivenciou o maior acidente ambiental da história do país. 

Para tristeza geral, em que pese toda a preocupação com o meio ambiente, vários homens e mulheres tiveram suas vidas ceifadas pela repetição de um evento que alguns juraram que não mais ocorreria no Brasil.

Premida pela situação e pela opinião pública internacional, o presidente da Vale do Rio Doce, em um gesto humanitário, expressou seu profundo pesar pelo ocorrido, ao mesmo tempo em que, provavelmente orientado por advogados da empresa, fez crer que a própria empresa fôra a grande prejudicada, em razão da morte de vários funcionários no local.

Disso tudo pergunta-se: qual é o setor da administração pública que fiscaliza esse tipo de atividade? Sabe-se que a União tem o monopólio da exploração de riquezas minerais do país, podendo autorizar particulares a fazê-lo, como é o caso. Por quê a sirene não foi acionada quando houve o rompimento da barragem? Quais são as empresas de auditoria que afiançaram a integridade da barreira? Será que não houve ressalvas ou procedimentos recomendados que não foram observados pela Vale do Rio Doce? Seria ótimo se os pareceres das auditorias independentes e da própria empresa fossem divulgados em sua íntegra, para que a sociedade pudesse analisar e debater se houve ou não descuido no trato da questão.

Em que pese este questionamento primário, várias perguntas derivadas podem ser realizadas por especialistas no assunto e pelo Ministério Público e Defensoria Pública, dentro de suas atribuições.

Para os cidadãos sobreviventes, por mais desculpas que lhes sejam apresentadas, fica a certeza de que algo necessário não foi feito, além da impressão de que são brasileiros de segunda classe. Isso porque, após uma tragédia como a de Mariana/MG, ocorrida a aproximadamente dois anos, as vítima ainda estão sem os seus lares e as ruínas enlameadas  da cidade perduram, servindo de tortura para os olhos daqueles que um dia viveram no local. Triste perspectiva.

Agora, graças a algo que somente o tempo e muito trabalho poderá nos mostrar, um conjunto muito maior de pessoas vê o patrimônio de uma vida inteira perdido, além de entes queridos enterrados vivos na lama tóxica, sem grande perspectiva de, ao menos, terem um funeral decente.

A questão do descarte dos resíduos dessas mineradoras, bem como a proximidade de conglomerados habitacionais das minas e barragens deveria ser colocada em pauta pelo governo e o Congresso Nacional.

Não é possível que as coisas continuem como estão! A tecnologia evoluiu tanto para o descarte de resíduos, como para a engenharia empregada na construção das barragens.

Se não há condições de garantir a segurança de pessoas que eventualmente vivam próximas a esses locais, o correto seria proibir o funcionamento de mineradoras em regiões habitadas, ou desapropriar terras próximas às barragens que, em caso de rompimento, estejam no caminho a ser percorrido pela lama tóxica. Crê-se que não seja muito difícil encontrar tecnologia que permita a adoção de medida como essa.

Depois da desgraça que aconteceu, não se sabe se o que mais irrita a todos, depois das mortes e destruição, seja ouvir as justificativas do injustificável. 

Como se não bastassem os problemas existentes na administração do país, a aparente incúria de terceiros gera um abacaxi de imensas proporções para ser descascado pelo governo recém empossado, que a julgar pela sorte, não será de se estranhar se tiver que fazê-lo com uma faca cega, considerada a suposta presteza dos órgãos públicos de fiscalização.

O Brasil inteiro chora pelas vítimas de Brumadinho/MG.

 

 

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