‘Ouro Verde’: citado por delator, sobrinho de Jonas tem data definida para oitiva na Câmara


Secretário de Governo, Michel Ferreira prestará esclarecimentos ao Legislativo dia 27. Em 2018, ele teve nome associado por réu a suposto esquema de propinas, durante depoimento no MP. Michel Abrão Ferreira, secretário de Governo em Campinas
Reprodução / Prefeitura
O secretário de Governo em Campinas (SP), Michel Abrão Ferreira, irá à Câmara dos Vereadores em 27 de fevereiro para prestar esclarecimentos sobre o fato de ter o nome associado a um suposto esquema de propinas por Daniel Câmara, um dos delatores da Operação Ouro Verde. A declaração foi feita pelo acusado durante depoimento ao Ministério Público (veja abaixo as transcrições), enquanto a data da oitiva foi confirmada pela Prefeitura na tarde desta quarta-feira (6).
A convocação de Ferreira, sobrinho do prefeito, Jonas Donizette (PSB), foi aprovada pelo Legislativo em dezembro do ano passado. Neste caso, a oitiva deve ocorrer entre 17h e 18h, mas a assessoria da Casa informou que ainda não foi comunicada oficialmente pela assessoria do governo.
Câmara era diretor da Organização Social Vitale à época em que ela administrou o hospital municipal e investigado como suposto integrante do esquema criado para desviar recursos. ‘Compensação pós-eleições’
Nesta semana, ao ser ouvido pela Comissão Processante (CP) aberta pela Casa para investigar o chefe do Executivo por suposta omissão no caso, ele admitiu que um “plano B” não executado para reequilíbrio financeiro do contrato entre a entidade e o governo, discutido entre ele, o ex-servidor municipal Maurício Rosa e o advogado Marcelo Scalão, previa que a OS devolvesse R$ 400 mil mensais à administração para compensar a “falta de arrecadação” na campanha eleitoral de 2016.
A Prefeitura, porém, nega irregularidades, destaca que os pedidos para aditamento do contrato com a Vitale foram rejeitados, e as medidas necessárias foram tomadas após o caso vir à tona.
Daniel Câmara é um dos delatores da Ouro Verde
Reprodução/EPTV
Declarações ao MP
A gravação obtida pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostra o momento em que o promotor Daniel Zulian, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), interroga Câmara. Ele cumpre prisão domiciliar desde que a delação premiada foi homologada pelo Judiciário.
O delator afirmou na ocasião que Michel Ferreira teria contratado Maurício Rosa para a Secretaria de Saúde, com objetivo de garantir aumento de repasses ao Ouro Verde, sem a necessidade de processos judiciais. O ex-servidor foi exonerado em dezembro do ano passado.
Daniel Câmara: “Bem quando ele foi nomeado, porque logo depois eu fui fazer a primeira reunião na prefeitura. Ele [Rosa] nem tinha cartão na época, falou que ele tinha acabado de ser nomeado.
Promotor: Era Maurício Rosa?
Daniel Câmara: Maurício Rosa.
Promotor: Sabe o cargo que ele exercia?
Daniel Câmara: Ele virou diretor de Saúde… Exercia um cargo forte dentro da secretaria e, pelo que eu entendi, tinha sido colocado ali pelo grupo do Michel [secretário], para atender os contratos da prefeitura e tentar solucionar os problemas de alguns contratos.
Em outro trecho, o promotor do MP questiona sobre uma lista de empresas que prestavam serviços ao hospital municipal, e Câmara responde que Rosa e o advogado Marcelo Scalão – ambos supostamente ligados ao secretário – chegaram a pedir a relação de fornecedores.
Daniel Câmara: Eles queriam enxergar empresa por empresa onde teria qualquer possibilidade de pedir dinheiro, enfim, de arrecadar dinheiro, um documento que fosse apresentado a… Tal prestador de serviço médico é tanto, tal venda de medicamentos é tanto…
Promotor: Os valores…
Daniel Câmara: Os valores num relatório de atividades do hospital para eles começarem a estruturar essa… Isso que eles estavam fazendo.
Promotor: Isso foi apresentado para eles?
Daniel Câmara: Não
O MP também questionou a ligação entre o secretário e o prefeito nas negociações.
Promotor: Para vocês o secretário Michel era uma extensão do prefeito…
Daniel Câmara: Sim
Posicionamentos
O G1 não conseguiu contatos com Maurício Rosa e Marcelo Scalão até esta publicação.
À época em que as declarações vieram à tona, a assessoria da Prefeitura informou que estava à disposição para prestar todos os esclarecimentos sobre o caso Ouro Verde.
Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

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