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Polícia Federal conclui inquérito e incrimina irmãos Batista por operações financeiras

Relatório final da PF incrimina Wesley Batista por lucro indevido no mercado financeiro

Relatório final da PF incrimina Wesley Batista por lucro indevido no mercado financeiro

A Polícia Federal entregou nesta segunda-feira (9), ao Ministério Público Federal (MPF), o relatório final da Operação Tendão de Aquiles, que investigou e incriminou Joesley e Wesley Batista pelo uso de informações privilegiadas e a manipulação de mercado por meio das empresas JBS e FB Participações.

Os irmãos já foram indiciados e estão presos desde setembro pela acusação. Segundo a PF, eles se beneficiaram de informações relacionadas ao acordo de colaboração premiada firmado com a Procuradoria Geral da República (PGR) para obter lucro no mercado financeiro.

De acordo com a polícia, o grupo empresarial dos Batista comprou U$ 1 bilhão às vésperas do dia 17 de maio, data que a delação premiada foi divulgada na mídia, e vendeu R$ 327 milhões em ações da JBS durante seis dias do mês de abril, enquanto seus executivos negociavam o acordo com a PGR.

A JBS confirmou que comprou dólar no mercado futuro horas antes da divulgação da notícia de que seus executivos fizeram delação premiada. O dólar disparou no dia seguinte, subindo mais de 8%, o que resultou em ganhos milionários à empresa.

Os Batista teriam praticado, então, o chamado “insider trading”, que é o uso de informações privilegiadas para lucrar com operações no mercado financeiro. A venda das ações da JBS em abril também evitou um prejuízo de R$ 138 milhões aos irmãos, já que o valor das ações da empresa despencou depois da revelação de que os empresários eram investigados pela polícia.

Wesley e Joesley Batista durante evento em São Paulo em agosto de 2013 (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress/Arquivo)Wesley e Joesley Batista durante evento em São Paulo em agosto de 2013 (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress/Arquivo)

Wesley e Joesley Batista durante evento em São Paulo em agosto de 2013 (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress/Arquivo)

“Eles tinha informações bombásticas, com potencial de impacto relevante no mercado (…) Eles tinham expectativa de que, no futuro, essas infos viriam a público. Antes que viessem, se possicionaram no mercado financeiro, e com base nessas infos impactantes, aferiram lucro”, explicou o delegado da PF Edson Garutti.

Conforme afirmou o delegado, Joesley e Wesley Batista tiveram “suas responsabilidades estritamente aferidas” no inquérito entregue ao MPF nesta segunda-feira. Caberá ao órgão, agora, apresentar a denúncia, solicitar o arquivamento dela ou reencaminhar a investigação para a realização de novas diligências.

Os dois irmãos foram indiciados pelo crimes de manipulação de mercado e pelo uso indevido de informação privilegiada com abuso de poder de controle e administração. Wesley, porém, responderá sozinho à denúncia da compra de dólares, já que, segundo a polícia, não há indícios da participação de Joesley nesta negociação.

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