Prefeitura de Campinas estima cinco dias de limpeza após temporal que matou um na quinta


Quantidade de chuva que atingiu a cidade na quinta (24) era esperada para uma semana. Um homem de 41 anos morreu afogado na enxurrada na Avenida Princesa D’Oeste. Chuva e ventos fortes causam morte e estragos, em Campinas
A Prefeitura de Campinas (SP) estima que os trabalhos de limpeza e recuperação da cidade após o temporal de quinta-feira (24) durem em torno de cinco dias. A chuva forte causou estragos, quedas de árvore, interrupção no fornecimento de energia e até a morte de um motociclista de 41 anos, que ficou preso na enxurrada após cair da moto, na Avenida Princesa D’Oeste. De acordo com o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, as áreas mais afetadas e que receberão reforços na limpeza foram as microbacias dos córregos São Fernando, Proença, Orosimbo Maia, Norte-Sul e Avenida Heitor Penteado, no entorno da Lagoa do Taquaral.
Formação da chuva que atingiu Campinas na quarta-feira
Claudionor Pecorari/EPTV
Nessas áreas e em toda a cidade, serão realizados serviços de limpeza da lama e resíduos sólidos das bocas de lobo, limpeza das cabeceiras de pontes sobre córregos, recolhimento de galhos e remoção das árvores que caíram. Cerca de mil e duzentas pessoas estão envolvidas nos trabalhos entre reeducandos, profissionais terceirizados e funcionários da prefeitura. Ainda se acordo com o secretário, a estimativa é de que os trabalhos de limpeza sejam concluídos em até cinco dias. De acordo com a Defesa Civil, choveu 61 milímetros em uma hora e quarenta minutos, índice esperado para uma semana. Quinze bairros tiveram registo de queda de árvores e o fornecimento de energia precisou ser interrompido no Centro e no Taquaral por danos na rede elétrica. Os ventos chegaram a 73 km/h e, segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foram registrados 1285 raios na cidade, número considerado alto para um único dia. Cruzamento onde asfalto foi arrancado pela chuva, no Centro de Campinas (SP)
Reprodução/EPTV
Região central
No cruzamento das ruas Barão de Jaguara e Conceição, no Centro, um trecho precisou ser interditado após a força da água levar parte das placas de asfalto. Ainda na Barão de Jaguara, em outro trecho, um buraco foi aberto na via, causando outro ponto de interdição. O local está sendo monitorado, já que corre o risco de o asfalto também ceder. Segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), ainda não há previsão de liberação.
Buraco aberto na Rua Barão de Jaguara, em Campinas (SP)
Helen Sacconi/EPTV
Telespectadores da EPTV, afiliada de TV Globo, registraram o momento em que lixeiras foram arrastadas pela enxente e um motociclista teve a moto levada pela água, ainda na mesma rua. Um motorista também ficou ilhado dentro do carro na Barão de Jaguara.
O Odair José Moraes, zelador de um prédio na região, precisou improvisar uma espécie de comporta para impedir que as água invadissem o local. Ele conta que há cerca de 20 anos não via uma chuva tão forte na cidade.
Comporta improvisada por zelador no Centro de Campinas (SP)
Reprodução/EPTV
Queda de árvores
No bairro Guanabara as ruas Barão de Itapura e Engenheiro Cândido Gomide foram as mais afetadas. No primeiro caso, uma das pistas precisou ser interditada para que funcionários da prefeitura retirassem as árvores que caíram. Os trabalhos duraram a noite toda. No segundo caso, uma árvore foi arrancada pela raíz com o vendaval e atingiu um carro que estava próximo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a motorista não sofreu ferimentos. Funcionários da Prefeitura de Campinas (SP) trabalham na retirada de árvores no Guanabara
Reprodução/EPTV
O frentista Gilson Rodrigues Pereira, que trabalha em um posto próximo à Barão de Itapura, contou os momentos de apreensão que ele e os colegas de trabalho viveram no momento da tempestade. “Começou muita ventania, as árvores caindo, a gente achou que a cobertura do posto ia voar”, disse.
Além do bloqueio da pista, a região ficou sem luz, já que houve dano à rede elétrica. A CPFL esteve no local ainda durante a noite par religar os fios.
Pontos de alagamento
As avenidas Orosimbo Maia, Anchieta, Andrade Neves, Norte-Sul, Amoreiras e Princesa D’Oeste foram as mais afetadas por enxentes e alagamentos. Na última, um motociclista de 41 anos que passava pelo local caiu da moto, colidiu com um caminhão e foi arrastado pelas águas até o canteiro central.
Lá, uma pessoa tentou prestar os primeiros socorros até a chegada dos bombeiros, que tentaram reanimar o motociclista por cerca de trinta minutos, mas ele não resistiu e morreu. Segundo os bombeiros, ele ficou preso na enxurrada e se afogou. A vítima ainda não foi identificada.
Bombeiros tentam reanimar motociclista que se afogou em enxurrada em Campinas (SP)
Reprodução/EPTV
Moradores que estavam próximos ao local registraram o momento em que tudo aconteceu. Um dos clientes que estava em uma padaria próxima ao local relatou que chegou a ver o homem pedir socorro, mas que não puderam fazer nada no momento. “A gente não tinha o que fazer, se descesse morria junto”. Segundo a Prefeitura, também foram registrados alagamentos nos seguintes pontos: Rua Pedreira, no Jardim Novo Campos Elíseos; Rua Júlio Frank Arruda, no Botafogo; Rua Júlio Soares Mota, no Jardim Santa Amália; Rua Nova Iorque, no Parque São Quirino.
Houve ainda um alagamento de imóvel na Rua Pedro Álvares Cabral, no Bosque. Não há desabrigados.
Falta de energia
De acordo com a CPFL, o temporal desta quinta provocou algumas ocorrências pontuais de falta de energia em Campinas. Na região da Avenida Orosimbo Maia, 2,9 mil clientes ficaram sem o serviço durante a chuva.
Segundo a empresa, há registros pontuais de falta de energia na região do Taquaral. Equipes foram acionadas para trabalhar na região e a previsão é que o serviço seja restabelecido até às 23h.
Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

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