Prefeitura de São Paulo | Doria vê demissão conjunta de aliados e crise na pasta de esporte

Na foto, aparecem João Doria (esquerda), Paulo Nigro (entre Mauro Silva e Hortência) e Daniela Castro (ao centro, entre Hortência e Patrícia Medrado).

Aliado histórico de movimentos ligados à implementação de políticas públicas esportivas, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), perdeu o apoio de importantes parceiros. Indicada pela Atletas pelo Brasil, a secretária-executiva de Esporte Daniela Castro pediu demissão na sexta-feira passada e foi exonerada no sábado. Junto com ela, devem apresentar carta de demissão, até o fim da semana, todo o Conselho Gestor da pasta, que tem nomes de peso como da ex-jogadora de basquete Magic Paula e do empresário e mecenas do esporte João Paulo Diniz. Até o presidente da LIDE Esporte deve sair.

O grupo, que foi convidado por Doria para pautar um novo projeto esportivo para a cidade de São Paulo, decidiu deixar a gestão porque não teve espaço para isso. As medidas sugeridas não teriam sido adotadas pelo secretário Jorge Damião, um dos homens da comunicação de Doria durante a campanha eleitoral do ano passado. A agenda proposta foi deixada de lado para que a secretaria executasse somente eventos pontuais, tanto via parcerias quanto por emendas parlamentares.

O grupo, representado na secretaria por Daniela Castro, investiu na formulação de um plano para o esporte de São Paulo, mas viu muito pouco sair do papel. Há dois meses, o Olhar Olímpico chegou a noticiar a aprovação de mais de 90 eventos pontuais bancados por dinheiro de emenda parlamentar, muitos sob suspeita.

Enquanto isso, o conselho pretendia, por exemplo, fortalecer os clubes comunitários e reformular o modelo de atendimento da secretaria, tudo pela meta de ampliar em 20% a prática esportiva na cidade, um mantra de Damião. Mas os eventos pontuais consumiram a força de trabalho da secretaria, que, de acordo com diversos funcionários, é insuficiente.

Jornalista com carreira em empresas de comunicação, entre elas a TV Cultura, Damião tem o cargo há meses desejado pelo PR, que já indicou mais de uma vez o nome de Aurélio Miguel. O judoca medalhista olímpico, nos tempos de vereador, era o campeão de emendas para eventos pontuais e tinha como chefe de gabinete o homem por trás da maior parte das entidades que conseguem emendas parlamentares esportivas, Mauzler Paulinetti.

Aliados – Antes de ser eleito prefeito, Doria era bem quisto por grupos que atuam a favor do esporte. Presidente do LIDE, ele atuou pessoalmente junto a deputados para que a Câmara aprovasse, em 2013, a criação do artigo 18-A da Lei Pelé, uma iniciativa conjunta da Atletas pelo Brasil e do LIDE Esporte. É a 18-A que determina que as confederações esportivas devam cumprir uma série de obrigações, entre elas a proibição de mais de uma reeleição, para terem acesso a verbas públicas.

E foi a proximidade com esse grupo que teria incentivado Doria a montar o Conselho Gestor do Esporte. Além de Magic Paula e João Paulo Diniz (presidente do Instituto Península), foram nomeados pelo prefeito Paulo Nigro (presidente do LIDE Esporte), Hugo Passarelli e Fábio Igel, ambos empresários. O ex-jogador Raí deixou o conselho ainda no primeiro semestre, para poder participar da licitação do Pacaembu, e não foi substituído.

Umas conselheiras que estão renunciando é Magic Paula, que em julho protagonizou uma saia justa para Doria. O prefeito anunciou em entrevista coletiva que a ex-jogadora seria madrinha de um projeto de construção de quadras de basquete, o que ela depois negaria.

Outro lado – Em contato telefônico com o Olhar Olímpico, Jorge Damião negou qualquer tipo de crise na secretaria. Ele alegou que Daniela pediu demissão porque, no entender dele, ela sempre esteve “emprestada” pela Atletas pelo Brasil e que voltaria a trabalhar na ONG.

Quanto à saída dos conselheiros, Damião disse que “nem todos” pediram demissão e relacionou as renúncias a um acordo prévio para que os conselheiros deixassem seus cargos ao fim do ano, uma vez que “todos são ocupados com outras coisas”.

Damião ainda reforçou que a secretaria dele é completamente transparente e garantiu que a SEME aplica o plano estratégico definido. “Nós não saímos um milímetro do plano”, garante o secretário, que se acredita que a saída de Daniela simultânea à entrega da renúncia do conselho é uma “coincidência”.

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