QUEM REALMENTE IMPORTA PARA O PAÍS?

(Ueslei Marcelino/Reuters)

Alicerce da argumentação dos políticos governistas na análise das duas denúncias contra o atual presidente, dizer que Michel Temer não pode deixar o poder porque a economia vai bem (opinião deles) e poderá piorar, é uma grande falácia.

Isto porque o responsável pelos números mais amigáveis que a economia brasileira tem apresentado – em que pese o povo não sinta os seus efeitos – bem como pela boa perspectiva do empresariado, não é o presidente Michel Temer mas, sim, o ministro da fazenda Henrique Meirelles.

Meirelles é quem possui credibilidade e prestígio internacionais, imagem impoluta e um currículo profissional que qualquer país do mundo gostaria de ver a sua disposição na presidência.

Ele é quem consegue conversar com os investidores estrangeiros e internos, acalmando o mercado e criando condições para que, aos poucos, o país saia do atoleiro.

É bem certo que ele defende algumas posições que deixam o cidadão pobre em situação difícil, mas isso pode ser alterado com a atuação certa de seu partido, o PSD, que poderá conferir uma postura mais social e menos burocrata ao ministro.

Originário de um partido multifaces, que se agrega apenas em torno da disputa pelo poder e por manter-se nele, o atual presidente, infelizmente, representa hoje apenas os anseios egoístas de seu partido, acostumado a se fartar com cargos públicos e benesses, sem efetivamente agir em prol do povo.

Detentor dos piores índices de popularidade e aprovação de um governante do país, o presidente Michel Temer provavelmente encerrará sua carreira política com lama até os cabelos, sem um pingo de credibilidade e aprovação do povo, graças às manobras que tem feito no Congresso Nacional para aprovar seus projetos perversos para o cidadão pobre, e salvar seus correligionários investigados, assim como ele, em escabrosos casos de corrupção reunidos na conhecida “Operação Lava Jato”.

Vive-se um momento em que os valores imprescindíveis à boa prática política e à administração pública proba são enormemente fragilizados, a ponto dos políticos da base de apoio do presidente, em total desfaçatez, incentivarem a quebra da Ética, protegendo investigados por corrupção em troca de resultados na economia que têm agraciado o empresariado e os bancos.

Francamente, é objeto de curiosidade se o presidente reflete, quando põe a cabeça sob o travesseiro, sobre os efeitos do que faz para os cidadãos brasileiros. Talvez não pense em nada, já que declarou publicamente não se importar com sua negativa popularidade. 

Porém, resta a dúvida quanto aos seus familiares, mulher e filhos, sobretudo o mais novo. Será que ele não pensa no legado de tristeza e vergonha que deixará para eles, estando em meio a tantas acusações de corrupção, e gerando tanta dor para o povo? 

Dessa canoa furada chamada governo federal, o único que tem se ocupado em governar, de fato, é o ministro da fazenda. Todos os demais estão ocupados em se salvar da lei e da Justiça, ou de tapar os rombos da embarcação. Quem importa para o país, neste momento crítico, é um só homem: Henrique Meirelles. O resto é o resto.

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