Registros do capixaba Augusto Ruschi foram destruídos no incêndio do Museu Nacional

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Sergio Lucena, diretor do Instituto Nacional Mata Atlântica (INMA), afirma que vários documentos e estudos do ecologista Augusto Ruschi foram perdidos na tragédia | Foto: Agência Brasil 

O incêndio de grandes proporções que ocorreu no Museu Nacional, na noite deste domingo (02), no Rio de Janeiro, além de destruir 90% do acervo e impactar diretamente no meio científico e cultural do Brasil, também atingiu parte dos registros do naturalista capixaba Augusto Ruschi. 

Segundo Sergio Lucena, diretor do Instituto Nacional Mata Atlântica (INMA), responsável pela administração do Museu Mello Leitão, vários documentos e estudos do ecologista foram perdidos na tragédia. 

“A principal perda se deve ao acervo histórico de Augusto Ruschi, um importante nome para o Espírito Santo e um dos mais respeitados do Brasil. Ruschi foi o fundador do Museu Mello Leitão, em Santa Tereza, e parte da inspiração para a concepção do espaço veio do trabalho realizado no Museu Nacional, onde era professor e pesquisador. Até o fim da vida, Ruschi manteve vínculos profissionais com a instituição”, relata Lucena. 

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“Esse incêndio representa uma perda irrecuperável para os brasileiros e para o mundo”, disse Lucena

Sergio Lucena afirma que o incêndio do Museu Nacional é a maior tragédia cultural e científica do Brasil e possivelmente do ocidente pós-guerra.

“Perdemos 200 anos de nossa história e artefatos que fazem parte da história da humanidade. Um acervo valiosíssimo foi destruído. Esse incêndio representa uma perda irrecuperável para os brasileiros e para o mundo” 

Espírito Santo

O coordenador do Museu de Ciências da Vida da Ufes, Athelson Bittencourt, afirma que o acervo possuía mais de 20 milhões de itens, sendo um dos maiores de antropologia e história natural do país. “O acervo abrangia peças e particularidades de todo o território nacional, inclusive do Espírito Santo. No museu, estavam presentes plantas, animais e coleções oriundas do Estado”.

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“É um buraco que fica para a civilização, pois transcende o território nacional”, afirma Athelson

Além da tragédia de impacto incalculável, Athelson também lamenta a destruição de parte do acervo relacionada a Augusto Ruschi, parcialmente perdida no incêndio. “A sociedade perdeu o trabalho de milhares de pesquisadores e alunos. Grande parte do conhecimento que o Museu Nacional abrigava virou cinzas”. 

“É um buraco que fica para a civilização, pois transcende o território nacional. Por isso, precisamos desenvolver a cultural dos museus em nossa sociedade. Eles, inegavelmente, promovem a transformação do indivíduo e da sociedade. O mais triste é saber que isso poderia ter sido evitado. O museu pedia socorro há muito tempo. Era uma tragédia anunciada”, afirma.

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