Russos disfarçaram arma química como perfume para atacar ex-espião

Vidro foi modificado para conter o novichok

Vidro foi modificado para conter o novichok Divulgação Metropolitan Police / 5.9.2018

O que é considerado como o primeiro ataque com armas químicas em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial começou com um vidro de perfume. Foi assim que dois russos apontados como suspeitos do ataque contra o ex-espião Sergei Skripal e sua filha, Yulia, teriam entrado no Reino Unido carregando o agente nervoso conhecido como novichok.

Skripal e Yulia foram encontrados inconscientes em um banco num centro comercial de Salisbury no dia 4 de março. Hospitalizados, ficaram inconscientes por várias semanas. Mais tarde, a polícia descobriu que os dois tinham sido envenenados com uma substância neurotóxica desenvolvida por cientistas russos, o novichok.

O Reino Unido responsabilizou o governo russo pelo ataque, iniciando uma das piores crises diplomáticas recentes na Europa. 

Hoje, a Scotland Yard, a polícia britânica, identificou os dois suspeitos como sendo Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, que devem ter por volta de 40 anos. Os dois estão foragidos e suspeita-se que estejam usando identidades falsas.

A primeira-ministra, Theresa May, disse no Parlamento que a operação não foi amadora e que é “praticamente certo” que tenha sido aprovada pelo alto escalão russo.

Vidro de perfume encontrado em caixa de doação

Além dos Skripal, um policial que prestou os primeiros socorros também foi contaminado. Meses mais tarde, no final de junho, duas outras pessoas foram contaminadas por Novichok, numa cidade vizinha a Salisbury.

Charlie Rowley sobreviveu, após dias no hospital, mas sua namorada, Dana Sturgess morreu em 8 de julho.

As investigações apontaram que nenhum dos dois era um alvo de atentado, mas um acidente. Que acabou ajudando a desvendar como o ataque a Skripal e Yulia aconteceu.

A fonte da contaminação do casal foi descoberta nas investigações: um vidro de perfume, que foi achado por Rowley em uma caixa de doações e dado como presente para Dana.

Segundo a polícia britânica, este vidro de perfume foi modificado para conter o novichok sem representar riscos a quem o carregasse. Ele teria sido embalado em uma caixa rosa imitando a embalagem do perfume Nina Ricci Premier Jour, que foi encontrada em uma lata de lixo 

Além do vidro, dentro da caixa havia também um tipo de borrifador.

As investigações levam a crer que os dois suspeitos identificados hoje borrifaram o novichok na porta da casa de Skripal. Ao sair para ir ao centro comercial, ele e Yulia teriam se contaminado.

Pelo aeroporto

Os dois suspeitos identificados hoje teriam entrado no Reino Unido com o “perfume” na mala.

Alexander Petrov e Ruslan Boshirov estão foragidos

Alexander Petrov e Ruslan Boshirov estão foragidos Divulgação Metropolitan Police via Reuters / 5.9.2018

Eles chegaram a Londres em 2 de março, em um voo vindo de Moscou que aterrissou no aeroporto de Gatwick. De lá, viajaram de trem para o centro de Londres e se hospedaram em um hotel.

Nos dois dias seguintes, foram de metrô e trem para Salisbury, onde realizaram o ataque. As câmeras de segurança capturaram imagens dos dois nas imediações da casa dos Skripal.

No mesmo dia 4 de março, eles pegaram um voo para Moscou, saindo do aeroporto de Heathrow.

A polícia diz que não há notícias de que algum deles tenha retornado à Inglaterra depois disso, mas pede que qualquer pessoa que os tenha visto à época do ataque, façam contato com os investigadores.

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