Sapos cururu e martelo ganham nome por apresentar coaxo curioso


Vocalizações são emitidas principalmente ao anoitecer para atrair a fêmea e intimidar outros indivíduos. Ao coaxar o sapo-cururu emite uma sequência de notas curtas
Arquivo TG
Para muitas pessoas os sapos são repugnantes. Isso graças às lendas, mitos e falta de divulgação de informações e conhecimento sobre as espécies. Um grupo que sofre muito preconceito são os anfíbios anuros, aqueles que não possuem cauda, como sapos, rãs e pererecas. Mas, apesar de serem considerados “perigosos”, estes animais já foram muito valorizados no passado, sendo vistos até como “deuses e guardiões” para algumas civilizações, como a egípcia, por exemplo. Para os maias, os anfíbios também tinham um significado especial: eram respeitados como “animais sagrados” e simbolizavam fertilidade e nascimento. A partir da Idade Média, porém, estes bichos se tornaram símbolos malévolos, sendo citados em casos de bruxaria. Apenas os sapos machos vocalizam, já que as fêmeas são mudas
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Diferente de todas as crenças, não há porque temer a presença e proximidade com os anfíbios. Estes animais não apresentam perigo ao homem e são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema: controlam vetores e fazem parte da cadeia alimentar.
Estima-se que existam mais de 700 espécies de anfíbios anuros no Brasil, mas poucos são conhecidos pela população. Alguns se tornam mais comuns que outros, pois além do nome científico são “batizados” popularmente. É o caso do sapo-cururu e do sapo-martelo. Curiosamente, os respectivos nomes surgiram graças à vocalização das espécies. O canto do sapo-cururu é uma sequência de notas curtas e repetidas que soam como “cururu-ru-ru-ru”. Já o sapo-martelo apresenta um coaxar semelhante ao sonido de um ferro, por isso é conhecido também como sapo-ferreiro.
Sapo-martelo possui vocalização forte e fácil de identificar
Canto do sapo
A vocalização dos anfíbios é conhecida como “coaxar”. Geralmente os sons são escutados ao anoitecer, já que a maioria das espécies possui hábito noturno. Uma curiosidade sobre o canto dos sapos é que esta é uma característica particular dos machos, pois as fêmeas são mudas.
O principal motivo para os sapos vocalizarem é justamente para atrair e conquistar a parceira. Cada espécie possui uma vocalização específica e, muitas vezes, uma única espécie pode vocalizar de diferentes formas. O sapo-martelo, por exemplo, possui um repertório vasto: pesquisas já apontaram pelo menos seis cantos diferentes do mesmo bicho, incluindo canto de agonia e de defesa do território.
Estima-se que existam mais de 700 espécies de anfíbios anuros no Brasil
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Na beira do rio?
Você pode até nunca ter visto um sapo-cururu, mas com certeza já ouviu falar desta espécie na cantiga infantil que aponta o rio como principal habitat do anfíbio. No entanto, o animal não é restrito a este ambiente. Na realidade, o sapo-cururu vive em áreas úmidas, próxima a lagos e brejos. Outra curiosidade é que, usado popularmente para se referir a uma única espécie, o nome “sapo-cururu” é dado a todos os sapos do gênero Rhinella.
No Brasil existem pelo menos 40 espécies diferentes. Muitas delas são parecidas fisicamente, sendo diferenciadas apenas pelo tamanho e distribuição geográfica.

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