Taleban anuncia morte de fundador da rede militante afegã Haqqani

Haqqani (à dir.), quando ministro do Taleban, em 2001: morte não altera organização da rede

Haqqani (à dir.), quando ministro do Taleban, em 2001: morte não altera organização da rede Stringer/Arquivo Reuters/19.11.2001

Jalaluddin Haqqani, fundador da rede militante Haqqani, um dos grupos mais poderosos e temidos da insurgência afegã, morreu depois de uma longa doença, disse o Taleban nesta terça-feira (4).

Haqqani, que fundou a rede nos anos 1970, passou a liderança operacional do grupo alguns anos atrás para seu filho, Sirajuddin, que hoje é vice-líder do Taleban afegão e por quem os Estados Unidos oferecem uma recompensa de 5 milhões de dólares.

“Haqqani estava bastante velho e estava sofrendo com vários problemas de saúde”, disse uma fonte do Taleban próxima da família Haqqani.

O Taleban emitiu um comunicado sobre a morte de Haqqani, sem informar onde ou quando ele morreu, mas disse que ele estava doente e acamado há vários anos. 

Morte não altera rede Haqqani    

O porta-voz do Ministério da Defesa do Afeganistão, Mohammad Radmanish, disse que a morte não deve implicar em nenhuma grande mudança na rede Haqqani, à qual autoridades de segurança afegãs e norte-americanas atribuem alguns dos ataques suicidas mais devastadores da última década.

“Operacionalmente sua morte não terá impacto no grupo”, afirmou, acrescentando que o papel de Haqqani nos últimos anos era ideológico, não prático.

Haqqani se destacou como líder guerrilheiro na campanha apoiada pelos EUA contra as forças soviéticas que ocupavam o Afeganistão nos anos 1980, mas mais tarde se alinhou ao Taleban combatendo tropas norte-americanas depois que o Taleban foi deposto em 2001.

Responsável por homens-bomba

Haqqani é considerado aquele que introduziu os ataques de homens-bomba no Afeganistão, onde antes eram desconhecidos, e seu grupo se tornou famoso por seus ataques complexos e bem organizados contra militares afegãos e dos EUA e também contra alvos civis, além de sequestros de figuras importantes.

No ano passado um homem-bomba que se acredita ter sido enviado pela rede se explodiu no centro do bairro da capital afegã que abriga o governo e as embaixadas, matando cerca de 150 pessoas.

Como as esperança em conversas de paz aumentaram graças a um cessar-fogo inédito em junho, a morte de um dos mais conhecidos comandantes militantes ocorre em um momento delicado tanto para o Taleban quanto para o governo de Cabul, apoiado pelo Ocidente.

A morte de Jalaluddin Haqqani foi noticiada várias vezes nos últimos anos e os relatos nunca foram desmentidos.

Uma autoridade de segurança de Cabul, que falou sob condição de anonimato por não ter autorização para se identificar, disse que os serviços de inteligência afegãos acreditam que Haqqani morreu de fato cerca de três anos atrás.

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