Terra diatomácea aumenta tempo de armazenamento de sementes

Produto é extraído de rochas e funciona como defensivo natural em fazendas do interior paulista. Além de aumentar período de estocagem, a terra gera economia aos produtores.

A família de Felipe Ricca sempre viveu da agricultura. Ele tem 150 hectares plantados com milho em Tarumã (SP) e, neste ano, a expectativa é colher mais de 350 toneladas.


(Vídeo: veja a reportagem exibida no programa em 14/05/2017)

Os grãos colhidos na fazenda não são mais ensacados diretamente. Antes, passam por um tratamento que previne contra 15 tipos de pragas. O caruncho, inseto que faz furos na semente – que acaba não germinando-, está na lista.

O problema vem sendo enfrentado com o uso de terra diatomácea. Para cada tonelada de grão é misturado um quilo do pó branco. Com a mistura, o produtor ganha mais dois ou três meses de armazenamento.

A terra é extraída de rochas e não prejudica a qualidade do milho. Ela tem sílica na composição e os carunchos morrem por desidratação.

Manter a qualidade do milho durante a estocagem era um grande desafio no Núcleo de Comercialização de Sementes da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) em Paraguaçu Paulista (SP). Os defensivos químicos não puderam ser mais usados quando a produção passou a ser orgânica. O agrônomo Márcio Luiz Mondini diz que a solução veio com a terra diatomácea.

Além de resolver o problema do ataque de carunchos, a terra diatomácea também representou uma redução de custos. O inseticida contra o caruncho é vendido, em média, por R$ 28 a tonelada de grão, enquanto a terra custa R$ 8.

Na Cati, a terra diatomácea é misturada com o milho numa máquina e depois ensacada, podendo ficar armazenada por até um ano e meio. A expectativa é vender 100 mil sacas de sementes de milho este ano. Segundo o diretor geral do Departamento de Sementes e Mudas, Ricardo Lorenzini, o uso da terra diatomácea também vem sendo testado com sementes de trigo e feijão.

O agricultor Luis Fernando Dall Evedove já trabalha com a terra diatomácea há um ano. Ele planta milho em Marília (SP) e diz que economizou pelo menos 20% depois que deixou de usar o inseticida químico. Outra vantagem é que consegue segurar o milho para vender na entressafra, quando os preços são melhores.

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