NOVO MINISTRO DA SAÚDE E NOVAS DIRETRIZES

*artigo publicado no jornal Correio Popular, de Campinas/SP, em 23/04/2020

Como esperado, o presidente da república demitiu Luiz Henrique Mandetta e escolheu alguém mais afinado com suas idéias, o agora ministro da saúde Nelson Teich.

Uma mudança significativa de discurso e, possivelmente, de práticas, poderá delinear novos capítulos no combate ao Covid-19.

Saiu um médico focado exclusivamente com a saúde dos brasileiros e assume um médico e gestor privado de saúde que procura agregar o combate à pandemia ao trato da saúde econômica do país.

Não se sabe quando o ministério adotará medidas que mudem o tipo de isolamento adotado, mas é certo que isso ocorrerá, e não vai demorar.

Para alguns é um avanço, principalmente para aqueles que entendem que o problema econômico será tão ou mais grave que a pandemia, que já matou milhares de pessoas no mundo, e se agrava a cada dia no Brasil. Para outros, pode ser o prenúncio de uma catástrofe anunciada se houver afrouxamento do isolamento horizontal estabelecido.

O próprio ministro Nelson Teich já anunciou que medidas abruptas não serão adotadas no que se refere ao isolamento, mas isso, como já dito, deverá mudar em breve.

A par da realidade climática, só não agrada a idéia de que nos aproximamos do inverno e a tendência natural é a sobrecarga do já exaurido sistema de saúde.

De outra feita, surgem anúncios de que substâncias recém testadas “in vitro” poderão ser eficientes no combate ao Covid-19, gerando certo otimismo.

O governo, contrariando a linha de ação de muitos países e o pensamento de boa parte da comunidade médica, pretende adotar uma postura mais leve em relação ao isolamento, preocupado com os gastos realizados até agora e com a situação econômica do país, citando o desemprego como justificativa. O interessante é que, até antes da eclosão da pandemia, nenhuma medida concreta e eficaz foi adotada por ele para gerar mais empregos.

Diante da mudança no comando da saúde no país, vários órgãos da competente  imprensa brasileira já divulgaram artigos e até vídeo expondo o entendimento do novo ministro sobre o melhor tipo de isolamento a ser adotado, e a necessidade de fazer escolhas entre quem receberá atendimento ou não, nos casos graves de Covid-19, tendo em vista os recursos disponíveis no sistema de saúde pública.

Ressalte-se que, ao que parece, a responsabilidade dos médicos e gestores municipais e estaduais da saúde pública se agravará caso haja um afrouxamento do isolamento, pois as decisões sobre quem será tratado em UTI não será do governo federal, mas destes, que acabarão por responder até criminalmente, dependendo do caso, pelo não tratamento de qualquer paciente, caso sigam o pensamento do novo ministro, já exposto pela mídia.

O grande problema do Brasil na saúde sempre foi a adoção de políticas públicas inconsistentes ou ineficientes ou, ainda, simplesmente, a falta delas.

Em um cenário novo para todos, como o atual, esse problema ganha grande dimensão, pois será necessário lidar com números crescentes da ação de outros vírus, como o causador da dengue, além das doenças respiratórias que naturalmente ganham vulto com a chegada do inverno.

Quem viver testemunhará os efeitos das ações governamentais, sobretudo daquelas adotadas pelo governo federal. Espera-se que sejam muitos

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Author: José Vieira

Jornalista, Diretor da Associação Paulista de Imprensa - API, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, MBA em Gestão Pública, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH

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