O JORNALISMO MERECE RESPEITO

Não se trata de algo simples a agressão a jornalistas.

O profissional de jornalismo cumpre uma missão relevante, agregada de forma indissociável à democracia, pois a informação sobre tudo o que ocorre em um país é fundamental para que os cidadãos possam discernir sobre a realidade nacional e os rumos que os governos devem seguir.

A exemplo do que acontece com profissionais da Saúde e Segurança Pública, o profissional de jornalismo, ao se expor e correr riscos, exerce uma atividade essencial.

Prova disso são os inúmeros casos de corrupção em diversos setores do poder público apurados por força do jornalismo investigativo, sempre atento e cada vez mais qualificado, assim como o trabalho realizado em meio à pandemia atual.

Os países mais desenvolvidos do mundo têm em seu histórico inúmeros serviços prestados pelo jornalismo sério, compromissado com a divulgação dos fatos em todas as suas nuances, permitindo ao cidadão elaborar o seu juízo de valor. 

É certo que o jornalismo evoluiu da simples divulgação de fatos para o comentário e a crítica, até como um estímulo ao público, sobretudo o menos instruído, para que exercite o seu raciocínio e senso crítico, sem os quais não se constrói uma sociedade evoluída.

Nesse terreno arenoso da busca da notícia não foram poucos os que perderam a vida mundo afora. No Brasil, casos como o do jornalista Tim Lopes, morto por criminosos em um morro do Rio de Janeiro/RJ, é emblemático, e revela que o jornalismo no país caminha, não raro, à mercê da própria sorte.

Mesmo que grandes investigações não sejam iniciadas por meio da atividade jornalística, elas ganham força e vigor quando o jornalista realiza o seu trabalho, expondo à sociedade fatos, circunstâncias e detalhes que normalmente não seriam divulgados pelos órgãos oficiais.

No caso de manifestações populares, nas quais tem se tornado um hábito a hostilidade aos profissionais da imprensa, a quem interessa cercear a atividade jornalística? Qual a razão de tentar impedir a cobertura de eventos dessa natureza? O que leva um manifestante a agredir uma pessoa que está realizando o seu trabalho de informar? Infelizmente, são incongruências com as quais a sociedade tem que lidar em pleno século XXI.

De nada adiantam manifestações populares sem que sejam amplamente divulgadas pelos profissionais de imprensa, os quais potencializam o seu alcance e chamam a atenção da sociedade e dos detentores do poder para o que está ocorrendo.

É preciso entender que não se preconiza a liberdade de imprensa sem responsabilidade. Absolutamente. Excessos que prejudiquem a imagem de homens públicos ou de cidadãos comuns devem ser apurados e a responsabilidade pela falta atribuída a quem de direito como, aliás, prevê a legislação vigente no país. 

Não há democracia que prescinda do livre exercício da atividade jornalística, sobretudo em países com histórico relativamente recente de regimes fechados.

A nação que admite agressões ou cerceamentos à liberdade de imprensa, ou ao exercício profissional do jornalismo, condena a si mesma ao obscurantismo e à ignorância, mergulhando em um abismo de incertezas quanto ao seu futuro.

A imprensa livre é uma salvaguarda para a sociedade em relação aos governos, tanto que todo déspota a persegue.

Cidadão consciente não agride a imprensa, mas a tem como parceira na preservação dos direitos e garantias individuais e coletivos, na luta por uma sociedade melhor.

Quando um jornalista é agredido no legítimo exercício de sua atividade, isto se traduz em uma ofensa a toda a sociedade e à própria cidadania, o que, como tal, merece plena reprovação em terras civilizadas.

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Author: José Vieira

Jornalista, Diretor da Associação Paulista de Imprensa - API, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, MBA em Gestão Pública, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH

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