SPAGHETTI WESTERN (À BRASILEIRA)

*imagem: The New York Times

 

Lamentável. Essa é a palavra mais adequada para definir a situação política no país.

Não bastassem as publicações nas redes sociais, agora o presidente da república gera mais polêmica e desconforto com a publicação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril deste ano.

Palavras nada recomendáveis foram utilizadas em alusão a governadores, em uma reunião que teve de tudo, menos pauta e desenvolvimento sério.

Não é possível que o país seja governado desse modo, e que ainda existam defensores aguerridos dessa postura. É certo que, se não fossem os constantes destemperos do presidente, haveria um pouco mais de paz no cenário político e, quem sabe, teríamos algum alinhamento no combate ao mal maior, a pandemia.

Do jeito que as coisas estão, quando qualquer dos poderes cumpre o seu papel, é automaticamente alvejado na mídia pelo presidente ou membros do alto escalão do governo, os quais sempre dão a impressão de estar jogando para a platéia. 

Gestão pública não pode ser um “spaghetti western”, ou “bang bang à italiana” como em alguns filmes da década de 60. A importante missão de um governante e de seus auxilares requer seriedade e respeito entre si e para com os outros; exige projeto de governo, capacidade de governo e governabilidade, com equilíbrio, sem a belicosidade atual.

Desses quesitos fundamentais nota-se a existência, em alguns cargos, de capacidade de governo, sendo esta policiada e indevidamente tolhida pelo presidente, simplesmente porque tem poder para mandar. Quando ao projeto de governo, até agora, quase dois anos após as eleições, tem-se apenas contornos do que poderia ocorrer, em meio a imensa turbulência. 

Mas o pior dos cenários surge quando a palavra governabilidade emerge. O governo consegue atingir níveis alarmantes ao lidar com os posicionamentos contrários as suas pretensões de momento. Justamente num tópico de extrema importância, o governo falha constantemente, pois não consegue apresentar uma medida sequer que seja consensual com o Legislativo, e que não esbarre ou empaque no Judiciário.

Louvável a iniciativa do presidente em quebrar paradigmas retrógrados e até obscenos da política mas, do jeito que age, vai de mal a pior no seu intento, gerando crises institucionais, depreciação da imagem do Brasil perante o mundo e total insegurança e incerteza para os cidadãos.

O Brasil precisa ser tratado com mais seriedade, objetividade, técnica e serenidade. Não é possível que haja essa constante tensão entre os poderes, principalmente em meio a uma crise mundial. 

Não apenas agora mas, principalmente, no futuro próximo, a confiança e credibilidade serão fundamentais para o soerguimento da economia, flagelada pelas necessárias ações de combate à pandemia. Porém, como o cenário político atual, farto em desalinhos, não se vislumbra o surgimento de dias melhores para a população.

Um pouco de bom senso, equilíbrio e espírito público não fazem mal a ninguém. Deus acima de tudo; Brasil, do jeito que anda… É melhor nem comentar.

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Author: José Vieira

Jornalista, Diretor da Associação Paulista de Imprensa - API, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, MBA em Gestão Pública, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH

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