VIGILÂNCIA NA POLÍTICA

Não obstante as críticas e restrições que a população possui em relação aos políticos, é preciso ter consciência de que eles fazem parte da regra do jogo, ao menos a regra constitucional.

São necessários para conduzirem cidades, estados e o país, dentro de um sistema democrático e representativo legalmente estabelecido.

Assim, ao invés de simplesmente abominar essas pessoas, os cidadãos de bem devem analisa-los com cautela, aferindo – daqueles que tiveram mandato – se o que prometeram foi cumprido ao longo do período, ou se apenas ocuparam o cargo e nada fizeram; da mesma forma é preciso cuidado com aqueles que almejam um cargo, como no caso próximo, de prefeito e vereador.

Aferir a capacitação técnica para o desempenho do cargo almejado é fundamental para a boa escolha do político. Não basta saber se é uma pessoa de caráter, correta: é imperioso que tenha os predicados intelectuais e técnicos mínimos para o exercício de um mandato que interferirá na vida de todos os munícipes.

Ter uma história de vida familiar e social digna de respeito e confiança, é um sinal positivo para qualquer um que almeja um mandato.

Infelizmente, a história recente de várias cidades têm nos apresentado sucessivos erros na escolha de políticos, muitos dos quais protagonizaram ações dignas das páginas policiais. Aliás, essas páginas foram, no país inteiro, as mais ocupadas por políticos, o que demonstra uma carência ética muito grande.

Nesse sentido, é bom esclarecer que a política apresenta uma ética toda própria, baseada, para muitos, na oportunidade e conveniência, o que nem sempre se coaduna com a ética voltada à constância de comportamento justo e reto, mormente preconizada nas famílias e em algumas sociedades iniciáticas.

Baseado nesse entendimento, o cidadão deve entender que o jogo político mostra-se, não raro, perverso, sobretudo quando grandes interesses corporativos estão em jogo.

Pessoas que normalmente agiriam de uma forma e, quando empossados num cargo, “por força das circunstâncias” começam a agir de forma diferente, causando assombro aos eleitores; este é o início da jornada dentro da política, que estabelece novos limites e noções do que é certo ou errado, tudo em nome do bem comum, que não pode esperar.

É estranho e comum nos decepcionarmos com o voto de um parlamentar a favor de um projeto do governo que não agrada à população ou a um segmento expressivo dela. Mas poucos sabem que, no mais das vezes, esse voto pode representar, em outro momento, o apoio e a aprovação de um projeto de sua autoria, que beneficiará os seus eleitores.

Assim é o jogo da política e, nesse ponto, assemelha-se a episódios da vida cotidiana: para manter uma situação minimamente vantajosa para si ou para a família, o indivíduo, no jargão popular, “engole um sapo” ou até mesmo uma lagoa!

Mas, se as relações políticas são tão ardilosas como exposto, como mudar esse quadro? Será que vale a pena votar, se chegando ao poder o político será tolhido por essa ética perversa?

É preciso mais atuação da sociedade durante os mandatos, do que do próprio parlamentar. Exigir prestação de contas periódica aos eleitores; acompanhar a pauta das votações na Câmara Municipal e também as iniciativas do Poder Executivo.

A imprensa, como sempre, tem um papel fundamental na divulgação das ações do poder público, de modo a esclarecer a população sobre os prós e contras de determinadas ações, sobretudo quanto às consequências.

Também é um grande aliado o Ministério Público, por meio de suas promotorias especializadas, que tratam da integridade da administração pública, conceito que abrange o combate à improbidade administrativa e a outros desvios dos políticos e gestores públicos.

O que o cidadão não pode é esmorecer. É preciso vigiar diuturnamente as ações dos agentes políticos, e estimular pessoas que tenham sólida formação ética e técnica a se envolverem com a política, de modo que, algum dia, a maioria possa fazer com que o caminho ético seguido na política seja o mesmo daquele que defendemos em nossas famílias.

Share and Enjoy !

0Shares
0

Author: José Vieira

Jornalista, Diretor da Associação Paulista de Imprensa - API, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, MBA em Gestão Pública, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *