A VITÓRIA DO DEMOCRATA JOE BIDEN E O GOVERNO BRASILEIRO

A eleição do democrata Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos da América é histórica e deve ser comemorada em todo o mundo.

Sim, o mundo todo respira aliviado com a sua eleição, depois de quatro anos de tensão e ódio destilados pelo presidente Donald Trump, em uma das mais heterodoxas gestões à frente da Casa Branca.

Quatro anos atrás os americanos apostaram em um candidato que pregava uma supremacia separatista, na qual os americanos havidos como “puros” teriam prevalência sobre todos os demais cidadãos, e o país seria um tipo de chefe mundial, impondo as idéias e posturas nada simpáticas de seu presidente.

Foi um período de conflitos, arroubos, mas também de um crescimento na economia que não chegou a ser expressivo a ponto de vincular eleitores que garantissem ao presidente Trump mais um mandato.

É preciso lembrar que os EUA atravessaram uma crise, como todo o mundo, no último mandato do presidente Barack Obama, que se desdobrou para manter o país em uma liderança que não seria tão sólida como antes no cenário econômico, mas cuja diplomacia e valores difundidos encantaram o mundo.

O republicano Donald Trump conseguiu a vitória naquela ocasião conquistando os eleitores que clamavam por mais soluções internas do que trabalho diplomático. Venceu com uma pauta exclusivista, que criou antipatia do resto do mundo ao país, se esquecendo de que a globalização é uma realidade firmada e incontestável.

Essa nova política acabou por gerar um movimento perigoso em diversos países, inclusive no Brasil, com o avanço de forças extremistas que não nutrem nenhum respeito às chamadas minorias, e que privilegia os mais poderosos e também os adoradores de políticos com viés autoritário e com demagógica pauta de costumes.

O Brasil embarcou nessa canoa elegendo o atual presidente, Jair Bolsonaro, cuja plataforma de governo se alicerçou, durante a campanha, em uma anacrônica pauta de costumes, sem apresentar nada claro quanto à geração de empregos, educação, saúde e outras áreas cruciais para a população.

Essa é uma realidade inconteste, já que a pasta da Educação passou por várias mãos, assim como a Saúde, que tem à frente um militar qualificadíssimo, mas cuja seara é totalmente diversa da exigida pelo setor.

O governo brasileiro se espelhou na postura do presidente Donald Trump de modo até servil, demonstrando claramente que não tinha personalidade, apenas reflexos do presidente americano. Impôs ao país uma reforma da previdência que, em breve futuro, mostrará ao povo os seus efeitos danosos, pois as dificuldades para um trabalhador comum se aposentar foram triplicadas, ante a falta de empregos, o tempo exigido de contribuição, a idade aumentada e os parcos valores a serem recebidos a título de aposentadoria.

Além disso, a diplomacia brasileira nunca viu dias tão sombrios, os quais trarão, a partir da eleição de Joe Biden, um cenário de incertezas e certa tensão em relação ao Brasil.

Por influência e alinhamento desinteligente à política do presidente Donald Trump, o Brasil ignorou e rechaçou países vizinhos da América do Sul, e gerou um combate intenso à China, segundo maior parceiro comercial do país, além de várias animosidades criadas com alguns importantes países europeus.

As reformas realizadas se limitam à previdência e, agora, à Administração Pública, esta última um pouco melhor do que a primeira, mas também digna de reparos. No tocante à educação, o país conseguiu regredir, pois nada foi feito; na Saúde, há um retumbante fracasso, sobretudo no combate à epidemia de Covid-19 que campeia no país, enquanto o presidente mantém o clima de campanha em constante e desnecessário embate com aqueles que se opõem a sua postura, como é o caso do governador de São Paulo, João Dória.

Com isso, em que pese alguns importantes avanços no campo da infraestrutura, o governo se prepara, silente, para mais problemas em decorrência de sua atuação no meio ambiente e de sua fracassada postura diplomática.

Não há dúvidas de que o presidente eleito Joe Biden, que tem observado o Brasil com lupa, não tratará com simpatia o governo brasileiro, que incorreu em total falta de habilidade ao declarar apoio explícito à releição do presidente Donald Trump, em mais um episódio de fracasso da nossa diplomacia.

Mesmo sabendo que o cenário não será favorável ao governo brasileiro, ao menos por algumas demonstrações do presidente eleito dos EUA, enquanto vários países cumprem um papel protocolar simples, como saudar o novo presidente, o Brasil, por meio do seu presidente, silencia de um modo estranho, demonstrando lúdica solidariedade àquele que teve um segundo mandato recusado pelo povo americano.

Mais do que respeitar políticos ou governantes, cabe a uma nação soberana respeitar a vontade de outra. Ao desconsiderar Joe Biden, o governo brasileiro, além de deselegante, põe em risco as futuras relações comerciais do país, só para começar.

Talvez o temor de novos ares, mais limpos e democráticos, que certamente influenciarão todos os segmentos da sociedade brasileira, esteja retirando o sono dos membros do governo, que vêem surgir um grande obstáculo às pretensões presidenciais nesta segunda metade de mandato, bem como em relação à futura tentativa de reeleição do presidente Bolsonaro, ou seu apoio a quem ele entenda que possa sucedê-lo e dar continuidade a sua forma de governar. Aguardemos os próximos capítulos.

Share and Enjoy !

0Shares
0

Author: José Vieira

Jornalista/Articulista, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, com MBA em Gestão Pública,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *