POLÍTICA BRASIL: A PETROBRÁS FAZ BEM AOS BRASILEIROS?

O governo federal anuncia mais um leilão do pré-sal envolvendo a Petrobrás como participante obrigatória.

Serão leiloadas prioritariamente duas áreas de águas profundas, a Sépia e a Atapu, nas quais a empresa possui know-how ímpar no mundo.

A Petrobrás tem sido aclamada como orgulho brasileiro desde a sua criação, com alta tecnologia e produção invejável de petróleo e seus derivados, o que em outros países seria motivo de comemoração para o povo.

No Brasil, porém, somente o governo e os empresários do ramo comemoram, pois o cidadão, principal destinatário da riqueza produzida no país, não vê e não sente os efeitos dessa grandiosidade no seu cotidiano.

Este é um raciocínio que poucos ousam fazer, talvez por nacionalismo irracional ou medo de retaliações, mas é necessário que seja feito: qual a vantagem que a Petrobrás tem trazido para o povo, o consumidor de gás, diesel, gasolina e até mesmo etanol?

O fato da empresa ser majoritariamente brasileira, tendo capital estrangeiro por meio de ações, inibe a realização de políticas governamentais ou públicas que tornem mais palatáveis os preços dos combustíveis no país, inclusive do gás de cozinha, fundamental em qualquer residência, seja ela rica ou pobre.

A riqueza extraída está na terra e no mar territorial brasileiro, e nem por isso nós, cidadãos, temos alguma vantagem nisso. Quando os preços oscilam no exterior, em dólar, o brasileiro paga a conta em reais, pelo câmbio da época, o que gera grandes perdas para várias atividades e corrói o orçamento doméstico das famílias brasileiras.

Ao que parece a Petrobrás tem sido mais um instrumento de arrecadação de divisas do que outra coisa. Não tem nenhum apelo social; não beneficia o povo, que é o dono da terra mas, ao contrário, gera riqueza para os bolsos de vários investidores mundo afora.

Não seria a hora dessa situação mudar, haja vista o apelo nacionalista do governo atual? Não se trata da participação da empresa em programas sociais, que beneficiam apenas uma parcela do povo, mas da população, da sociedade brasileira como um todo.

Que nacionalismo é esse que arrocha o cidadão brasileiro e beneficia o estrangeiro? Que nacionalismo é esse que não viabiliza meios mais baratos e menos poluentes para o transporte de cargas  e da população, ao mesmo tempo em que elitiza o uso de combustíveis fósseis, do gás de cozinha e até do etanol extraído da cana de açúcar que, em tese, não tem nada a ver com o petróleo?

Vivemos em um país no qual os governos carecem de mais seriedade no trato da população, e a Petrobrás, de orgulho, passa a ser mais um meio de exploração do povo, pois não tem função social nenhuma. Percebam que, segundo a nossa Constituição, até a propriedade privada tem função social; se não tiver, o proprietário pode até perdê-la para o governo.

E quando o governo não cumpre o seu papel, a sua função social? Perde o povo, o país, e ganham os conglomerados internacionais.

É preciso olhar com atenção para o papel das empresas que contam com recursos públicos, principalmente aquelas com capital aberto, como é o caso, pois os interesses de lucro dos acionistas são preponderantes sobre os interesses nacionais, sobre o bem estar social dos brasileiros, no caso.

É hora de rever casos de sucesso, sob pena de estarmos perpetuando, por negligência, grandes Fake News, ao alardearmos que a Petrobrás e outras empresas são valorosas para o cidadão e orgulho para o Brasil(qual Brasil?). Fica a reflexão.

Aqui você já sabe: virou notícia, Brasil Comenta. 

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Author: José Vieira

Jornalista/Articulista, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, com MBA em Gestão Pública,

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