PECADOS NA GESTÃO PÚBLICA

O cenário político-administrativo do Brasil permite realizarmos algumas reflexões sobre a Gestão Pública.

Temos um governo eleito com propostas genéricas e várias delas apegadas a uma plataforma duvidosa de costumes, o que não é viável. Em verdade, a eleição do atual governo foi fruto do desespero e frustração com o governo anterior, sem mensuração das possíveis consequências.

Ausente um plano de governo com diretrizes definidas e objetivos claramente estabelecidos, o que é temerário, o governo ocupou-se em buscar respeitabilidade pela pela excelência acadêmica ou profissional de seus integrantes.

Até certo ponto a escolha foi positiva em algumas áreas, mas totalmente fracassada em outras.

Não bastasse a fragilidade governamental nesses dois requisitos básicos de qualquer administração ou gestão, o pior veio à tona com o total desprezo pela governabilidade.

Desde a sua campanha o atual presidente da república bradava que o jogo político seria mudado e que usaria o peso do apoio popular para forçar o Congresso Nacional a fazer o que julgava necessário, mesmo sem ter estabelecido, em campanha, o que seria isso. Forçar o Congresso em uma Democracia? Piada.

Novo fracasso. O que se conseguiu foi um parlamento reticente quanto às propostas do governo, as quais sempre são alvejadas, escancaradamente, por deputados e senadores.

Com isso, chegou-se às raias do desgoverno e até mesmo de um impeachment, o qual somente não ocorreu até agora por medo quanto a aspectos da política nacional e imagem internacional.

O governo que jurara se afastar de certos segmentos políticos, temendo o pior, se rendeu a eles, pois são maioria no parlamento. Mordeu ferozmente a própria língua.

Em suma: não tinha projeto de administração/gestão definido para o país; preocupou-se apenas em angariar nomes de peso em algumas áreas, o que pouco aspecto positivo tem tido; e o pior, não sabe dialogar com o parlamento de forma sadia, madura e técnica para governar.

Carlos Mattus, economista chileno que foi ministro da economia de seu país na época do presidente Salvador Aliende, concebeu, no cárcere, em razão do golpe militar ocorrido, a celebre e mundialmente aclamada teoria do “Planejamento Estratégico Situacional”, dentro qual destaca-se o “Triângulo de Governo”, segundo o qual, de forma sintética, nenhum governo seria bem sucedido sem Plano de Governo, Capacidade de Governo ( quadros de excelência) e Governabilidade (capacidade para lidar com contrariedades e oposições no processo de gestão).

Fica o registro para reflexão.

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Author: José Vieira

Jornalista/Articulista, bacharel em Direito(aprovado na OAB), servidor público, professor do Centro de Estudos e Ensino em Segurança Pública e Direitos Humanos - CESDH, pós graduado em Direito da Comunicação Digital, com MBA em Gestão Pública,

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